Chávez quer mudar método de medição econômica

Líder aponta a aparência 'capitalista' dos métodos de medição após queda no PIB de 4,5%

Efe,

19 Novembro 2009 | 04h53

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, afirmou na quarta-feira, 18, que "chegou a hora" de modificar o método de medição da economia do país, um dia depois que o Banco Central informasse que o Produto Interno Bruto (PIB) se derrubou 4,5% no terceiro trimestre do ano.

 

"Já chegou o momento, chegou a hora, de mudar a forma de medir a economia", declarou Chávez, quem afirmou que nas atuais técnicas está enquistada "a lógica da privatização da economia" porque se "minimiza" o peso da produção pública.

 

O líder esclareceu que "há muito tempo" fez essa "singela reflexão" sobre modificar o método de medição da economia, inclusive quando o PIB registrou um crescimento consecutivo durante 22 trimestres, até março passado.

 

Pôs como exemplo da aparência "capitalista" dos métodos de medição da economia que o Banco Central da Venezuela (BCV-emissor)atribuísse a queda de 4,5% do PIB entre julho e setembro passados à redução da produção petrolífera do país, derivada do cumprimento dos recortes estipulados pela Opep.

 

"Um dos impactos mais fortes que incidiu na queda do PIB é a queda do chamado PIB petroleiro (...) mas a queda do PIB é o corte!" da produção estipulado na Opep para evitar, como fez com "êxito", a derrubada dos preços do petróleo, assegurou.

 

Perante esse cenário "do ponto de vista capitalista" se indicaria "que para que o PIB cresça temos que aumentar a produção" petrolífera, o que levaria ao apartamento dos preços do petróleo, "e não teríamos nem para pagar salários no ano que vem", argumentou o líder.

 

Venezuela é membro fundador da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e reduziu desde 1º de janeiro passado seu bombeamento diário em 364 mil barris, o que deixou sua parcela de produção em torno dos três milhões de barris diários de acordo a dados oficiais venezuelanos.

 

Também citou que, de acordo aos métodos de cálculos atuais, a inflação fechou em 30,9% em 2008, mas esse indicador "é zero" em Mercal, a rede governamental de venda de alimentos a preços baixos, e isso não é tomado em conta pelo BCV, afirmou o líder.

 

"Não podemos permitir que se sigam calculando estas coisas com os velhos métodos do capitalismo (...) é prejudicial", mais agora, quando na Venezuela que se encontra "em transição rumo ao socialismo", explicou Chávez.

 

Citou que "na França, que é um país capitalista, o presidente (Nicolás) Sarkozy chamou um economista, amigo nosso, que não é socialista, Joseph Stiglitz" para que liderasse uma equipe que lhe desse "recomendações" a fim de aplicar novas formas de "medir o desempenho econômico das nações".

 

Analistas venezuelanos atribuíram na última quarta-feira, 18, a queda econômica do terceiro trimestre, além dos cortes na produção petrolífera, "à muito incoerente política econômica" baseada em uma suposto excesso de regulação por parte do Estado, que gerou uma inflação galopante e a destruição do aparelho produtivo.

 

Venezuela vive em "contexto de hiper-regulação" com "controles de câmbio e preços" vigentes desde 2003, além disso "de ameaças constantes ao setor privado", o que "mais que atrair investimentos e crescimento os está expulsando", disse o especialista em macroeconomia e acadêmico José Manuel Puente.

 

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