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Chefe das Farc ligado a Beira-Mar é morto na Colômbia

Efe

03 Setembro 2007 | 11h 16

Negro Acacio, sócio de traficante brasileiro, é assassinado em ofensiva do Exército colombiano

O guerrilheiro Tomás Medina Caracas, responsável pelo negócio das drogas dentro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), foi morto a tiros pelo Exército colombiano em Caquetí, informou nesta segunda-feira, 3, o Ministério da Defesa.   Veja Também  Farc reafirmam que deputados morreram em fogo cruzado 'Estratégia contra paras e Farc fortalece tráfico na Colômbia'     O guerrilheiro Tomás Medina Caracas, responsável pelo negócio das drogas dentro das For?as Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), foi morto a tiros pelo Exército colombiano em Caquetí, informou nesta segunda-feira, 3, o Ministério da Defesa.   Medina Caracas, conhecido como "Negro Acácio", foi sócio do traficante brasileiro Fernandinho Beira-Mar, detido em 19 de abril de 2001 na floresta amazônica colombiana e entregue à Justiça brasileira. Beira-mar foi condenado a 30 anos de prisão.   Negro Acácio, que era chefe da chamada "Frente 16" das Farc, teria morrido em um ataque contra o acampamento no qual estava refugiado na selva do leste colombiano, disse o ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, em entrevista coletiva concedida em Bogotá.   Outros 16 guerrilheiros teriam morrido no ataque.   O guerrilheiro era considerado uma peça-chave nas operações de narcotráfico atribuídas às Farc, e é o mais alto integrante do grupo a ser morto nos últimos anos. Ele foi o primeiro líder guerrilheiro a ter a extradição requisitada pelos Estados Unidos com base em acusações de tráfico de drogas.   "Este golpe é, sem d?vida, o mais forte aplicado à capacidade logística desse grupo terrorista. Molina é considerado um dos mais sanguinários e astutos líderes", disse Santos. Segundo o ministro, Negro Acácio era um "intocável" dentro da organização rebelde.   O incidente acontece em meio a significativos avanços nas negociações para uma troca humanitária de reféns das Farc por guerrilheiros detidos pelo governo.   "Cérebro" do tráfico   Santos disse ainda que Negro Acácio foi "um dos artífices da transformação e do fortalecimento das Farc na década passada, quando o grupo ampliou sua capacidade bélica, de insumos químicos e de recrutamento por intermédio do narcotráfico". Fontes oficiais confirmaram que, no domingo à noite, a "Força de Tarefa Ômega" - esquadrão de elite do Exército - bombardeou o acampamento de Negro Acácio e manteve fortes combates.   O ministro Santos admitiu, no entanto, que possui apenas informes dos serviços secretos para validar suas afirmações, uma vez que o cadáver de Molina Caracas teria sido levado por seus companheiros para não deixar rastros de sua morte.   Pelo menos 17 ordens de captura e uma circular de detenção internacional da Interpol haviam sido expedidas contra Negro Acácio. O guerrilheiro era procurado há mais de dois anos pelo Exército colombiano, que afirmou ter estado perto de detê-lo várias vezes.   Tráfico com o Brasil   Antes da prisão de Beira-Mar, Negro Acácio se reunia periodicamente com o traficante brasileiro nas selvas colombianas de Vichada, limite com o Brasil e Venezuela, para conduzir grandes negócios de cocaína em troca de fuzis e munição. O guerrilheiro conseguiu escapar em 2001 da operação "Gato Preto", lançada para detê-lo e na qual Fernandinho Beira-Mar foi preso.   Na semana passada, foi descoberto um acampamento na mesma zona na qual estaria Carlos Antonio Lozada, que foi um dos negociadores das Farc nas gestões de paz realizadas no governo de Pastrana e que teria conseguido fugir, após ser ferido. Essa operação militar permitiu a descoberta de um computador portátil de Lozada, no qual apareciam importantes informações sobre planos para atentados contra políticos colombianos. Por isso, as autoridades suspeitavam que o guerrilheiro morto fosse Lozada.   Prisão abortada   Em 2001, Negro Acácio conseguiu escapar da "operação Gato Preto", lançada para detê-lo e na qual Fernandinho Beira-Mar acabou preso. Acredita-se que, na época, Molina Caracas se reunia freqüentemente com o narcotraficante brasileiro Fernandinho Beira-Mar nas selvas colombianas de Vichada, perto das tríplice fronteira com o Brasil e a Venezuela, para conduzir trocar cocaína por fuzis e munição.