Cheios de expectativas, palestinos chegam ao Brasil

Apesar do cansaço, grupo de 35 refugiados demonstra alegria ao desembarcar em Guarulhos nesta sexta-feira

Andressa Zanandrea, do Jornal da Tarde,

21 Setembro 2007 | 08h46

"Olá, como vai?" Com uma saudação em português, ainda com dificuldades, um dos 35 refugiados palestinos que desembarcou nesta sexta-feira, 21, em Guarulhos, cumprimentou a imprensa. Mesmo depois das 34 horas de viagem, desde que deixaram o campo de Ruweished, a 70 km da fronteira entre o Iraque e a Jordânia, o grupo demonstrou bastante expectativa ao chegar ao País.   Os primeiros refugiados palestinos, dos 117 que serão trazidos para o País pelo Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), chegaram às 5h30 da manhã desta sexta-feira. Apesar do cansado, os rostos não escondiam a felicidade em recomeçar uma fase.   O primeiro a desembarcar com a família foi um menino, que trazia duas bolas de futebol verde e amarela nas mãos. O motorista Ibrahim Said Attia agradeceu o governo brasileiro por recebê-los e contou que pretende viver no País para sempre com a família.   Ibrahim nasceu em 1954, em Bagdá. Iraquiano, filho de um refugiado palestino, veio com a mulher e uma filha. Ele relatou que tem planos de começar a trabalhar e também ajudar a esposa, que tem problemas de coração.   "Passamos tempos muito difíceis no acampamento", disse o refugiado, que ainda contou que não vê o filho há mais de 4 anos. O menino está em um campo de refugiados no Iraque, provavelmente sem comida e água, lamenta.   Durante quatro anos, o grupo enfrentou as temperaturas extremas do verão e do inverno no deserto da Jordânia, vivendo em tendas. Todos os palestinos fugiram do Iraque - a maioria de Bagdá - pouco após a invasão americana, em 2003, quando milícias xiitas passaram a perseguir e matar palestinos.   Segundo o oficial de proteção da Acnur, José Francisco Sieber, que acompanhou o grupo desde a Jordânia até Guarulhos, os refugiados receberam instruções sobre a cultura brasileira e a língua portuguesa. Ele acredita também que o idioma será a maior dificuldade que o grupo enfrentará no Brasil.   Os palestinos serão assentados no interior de São Paulo e no Rio Grande do Sul. O aluguel de suas casas serão bancados pelos próximos dois anos pela comunidade internacional, além da ajuda de custo de cerca de um salário mínimo que receberão.

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