Reuters/Andrew Medichini
Reuters/Andrew Medichini

Chile e Peru trocam farpas sobre caso de espionagem

Recrudesce a oposição entre países que estão em lados opostos na Corte Internacional de Justiça de Haia

EFE/ANSA,

17 Novembro 2009 | 17h24

A presidente do Chile, Michelle classificou nesta terça, 17, de "ofensivas" as palavras de seu colega peruano Alan García, em seu primeiro pronunciamento sobre o caso. García qualificou ontem como "ato repulsivo" a suposta espionagem do Chile sobre o Peru, definindo o país uma "republiqueta".

 

Em resposta, Bachelet disse que "as expressões ofensivas em nada contribuem para a integração e a cooperação que devem prevalecer entre países vizinhos". García disse ainda, que iria "exigir explicações" do Governo chileno sobre suposto caso de espionagem que "deixa muito mal a presença do Chile diante do mundo".

 

Bachelet se reuniu hoje com o chanceler Mariano Fernández, para discutir o caso que veio à tona na quinta-feira, quando a imprensa peruana informou a prisão do militar Víctor Ariza Mendoza, da Força Aérea Peruana (FAP), acusado de vender informações estratégicas a contatos do país fronteiriço.

 

"Se realmente queremos trabalhar pelo bem de nossos povos, acho que este é o momento em que deve sobressair o respeito, assim como a responsabilidade das autoridades", afirmou.

 

"Quero dizer com toda energia: (...) sinto orgulho de ser a presidente de um país que soube ganhar o merecido respeito, e um lugar e um prestígio em nível internacional", assegurou Bachelet.

 

O Governo peruano entregará hoje a Santiago a documentação ligada ao suposto caso de espionagem e espera que o país assuma responsabilidades e puna os culpados, disse o chanceler do Peru, José Antonio García Belaúnde.

 

"O presidente da República (Alan García) disse que colocará à disposição do Governo chileno toda a documentação do caso para que não duvidem sobre sua veracidade, além de pedir à Interpol que confirme a não manipulação dos documentos", disse Belaúnde à "Rádio Programas del Peru".

 

Após admitir que as relações entre Lima e Santiago se encontram em "um ponto delicado", Belaúnde reiterou que a acusação de espionagem não é contra o Chile, nem contra sua presidente, mas "contra aquelas pessoas que ainda nesta época seguem praticando estes atos criminosos".

 

As provas sobre o caso de espionagem serão entregues hoje ao responsável pelo setor de Negócios da embaixada do Chile em Lima, Andrés Barbé, já que o embaixador Fabio Vio, foi chamado a consultas pelo Governo de Santiago.

 

Tribunal de Haia

 

O chanceler peruano, José García Belaúnde, negou que a denúncia sobre a suposta espionagem de militares do país em favor do governo do Chile esteja relacionada a uma estratégia para desprestigiar a nação vizinha, na demanda movida no Tribunal de Haia por limites marítimos.

 

Os dois países estão em lados opostos na Corte Internacional de Justiça de Haia, onde tramita uma ação movida pelo Peru que solicita a mudança da fronteira marítima entre os territórios.

 

O conflito entre as duas nações sul-americanas foi intensificado na última semana, quando veio à tona a prisão do militar Víctor Ariza Mendoza, da Força Aérea Peruana (FAP), acusado de vender informações estratégicas a contatos do país fronteiriço.

 

Ontem à noite, a mãe de Ariza, Juana Mendoza, defendeu a inocência do filho. "Corto as minhas duas mãos, porque meu filho é inocente", clamou a peruana na rede América Televisión. Ela afirmou que seu filho é vítima de calúnias.

 

Recentemente, as investigações incluíram mais três pessoas no processo: um funcionário da FAP que não teve o nome divulgado e dois militares, Daniel Márquez Torrealba e Víctor Vergara Rojas, que seriam chilenos.

 

O deputado chileno Jorge Tarud declarou que a denúncia de espionagem não passa de uma manobra publicitária para levantar a popularidade do presidente peruano, Alan García, que aparece com menos de 30% de aprovação em pesquisas de opinião.

 

A justificativa de García Belaúnde, porém, é de que houve um vazamento de dados no Ministério Público do Peru, o que teria inclusive impedido o andamento normal das investigações, que seriam sigilosas.

 

"Não tem nada a ver com um complô, nem com nenhuma estratégia de comunicação para fazer isso surgir na reunião do Apec - Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico-, disse García Belaúnde.

 

O caso foi divulgado na última semana, quando Alan García e a presidente chilena, Michelle Bachelet, já estavam em Cingapura para a Cúpula do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, realizada no último fim de semana. O tema provocou a volta antecipada do mandatário peruano a Lima.

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