Arnulfo Franco/AP
Arnulfo Franco/AP

Eleição em Honduras é encerrada em clima de normalidade

Frente de Resistência ao Golpe denuncia alta abstenção e proclama vitória; Lula volta a descartar votação

Efe,

29 Novembro 2009 | 21h41

As mesas receptoras de votos das eleições em Honduras fecharam neste domingo, 29, às 17h local (21h de Brasília), uma hora mais tarde do previsto, porque o Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) decidiu prorrogar por causa da afluência de eleitores. As eleições se realizaram em aparente normalidade, segundo observadores locais e estrangeiros convidados para um processo que não foi reconhecido pela maioria da comunidade internacional.

 

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A Frente de Resistência ao Golpe de Estado afirmou que a abstenção nas eleições foi de entre 65% e 70% dos eleitores, e proclamou "a vitória sobre o golpe". "Em termos gerais a abstenção real vai ficar entre 65% e 70%", disse à Agência Efe o líder camponês Rafael Alegría, um dos dirigentes da Frente de Resistência que reivindica a restituição ao poder do presidente deposto Manuel Zelaya.

 

Pouco antes do término da votação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil "não tem nada para repensar" em relação a Honduras e que, portanto, não reconhecerá o resultado das eleições. "No caso de Honduras, tive uma conversa com (o chanceler) Celso Amorim e lhe disse que o Brasil não tem por que repensar nada", disse o presidente aos jornalistas após chegar ao balneário português de Estoril para participar da 19ª Cúpula ibero-americana.

 

"Nós necessitamos, às vezes, manter nossas convicções sobre as coisas, porque isso serve como um alerta para outros aventureiros", disse Lula, que desde o dia 28 de junho, quando Zelaya foi derrubado, anunciou que não reconheceria o governo que o substituiu no poder.

 

O presidente também disse que Zelaya poderá permanecer na embaixada brasileira em Tegucigalpa o tempo que for necessário. "Pode ficar até que o governo (golpista) lhe garanta a vida", declarou. Segundo Lula, "o fato de que os golpistas não tenham permitido que o presidente voltasse para comandar o processo eleitoral é um sinal muito perigoso."

 

Em relação às diferenças surgidas na região ibero-americana sobre o reconhecimento ou não das eleições realizadas hoje, Lula declarou que "cada país tem soberania" para tomar suas próprias decisões. "Vejo que, às vezes, na União Europeia, que está tentando construir uma unidade há 50 anos, há países que aprovam uma coisa e outros que não a aprovam, e eles não o veem como uma divisão, mas como uma consequência normal do exercício da democracia em cada país", disse.

 

Lula comentou que, em seu caso, tem discordâncias em relação à crise em Honduras com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, mas avaliou sorridente que "se não há divergências entre dois chefes de Estado, as coisas não têm nenhuma graça."

 

A situação em Honduras ocupou hoje boa parte da agenda dos ministros das Relações Exteriores ibero-americanos, que acertaram trabalhar em um projeto de declaração na busca de um consenso sobre as diferentes posturas que há na comunidade sobre a legitimidade do pleito.

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