Emprego supera segurança para eleitores colombianos

Há oito anos, Jorge Parra votou em Álvaro Uribe para presidente porque estava farto da violência. Agora, esse vendedor ambulante diz que seu voto será decidido pela questão do emprego, não mais da segurança.

LUIS ANDRÉS HENAO, REUTERS

14 Maio 2010 | 20h28

Parra reflete a mudança nas prioridades dos eleitores na atual campanha, depois da relativa melhora da segurança num país sacudido por décadas de guerra civil. Desta vez, emprego e saúde são os temas dominantes na eleição presidencial de 30 de maio, com segundo turno em junho.

"Por que estamos aqui (vendendo na rua)? Porque não há outros empregos", disse Parra, pai de três filhos, que vende balas nas ruas de Bogotá. "Por isso as pessoas recorrem a roubar e matar."

Quando Uribe foi eleito, em 2002, os rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia assustavam as grandes cidades. Nesses dois mandatos, e com uma bilionária ajuda dos EUA, o presidente linha-dura enfraqueceu os rebeldes e os fez recuar para as montanhas e florestas.

Os colombianos hoje se sentem mais seguros, mas sofrem com o desemprego de 13,4 por cento.

Os dois principais candidatos - o governista Juan Manuel Santos, ex-ministro da Defesa, e o independente Antanas Mockus, ex-prefeito da capital - prometem manter as políticas econômicas liberais de Uribe, mas com mais ênfase no desenvolvimento. Defendem também que sejam preservadas as conquistas na segurança.

As pesquisas recentes apontam Santos e Mockus em empate técnico nos dois turnos.

Questionados sobre suas maiores preocupações, 39,4 por cento dos colombianos apontam a redução do desemprego, e 11,9 por cento citam a melhoria da saúde pública, segundo uma recente pesquisa do instituto InvamerGallup. A segurança aparece num distante terceiro lugar.

"A segurança ainda é um fator, mas não é a questão determinante nestas eleições. A Colômbia tem o mais elevado desemprego do continente, então não me surpreendem as preocupações das pessoas", disse Roberto Steiner, presidente da entidade Fedesarrollo, de Bogotá.

Para Jorge Londoño, do Invamer-Gallup, a pesquisa reflete "o sucesso de Uribe na melhoria da segurança, a tal ponto em que não é mais prioridade", permitindo que "questões sociais subam na lista".

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