EUA ainda apoiam eleição como parte de pacto em Honduras

Departamento de Estado afirma que o país não mudou sua política quanto à crise no país centroamericano

Efe, Agência Estado e Associated Press,

06 Novembro 2009 | 15h38

O governo dos EUA reiterou nesta sexta-feira, 6, que não mudou sua política em relação à crise hondurenha e que seu compromisso de apoiar as eleições do dia 29 de novembro em Honduras "é produto do acordo" Tegucigalpa-San José ao qual chegaram ambas as partes.

 

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O Departamento de Estado reagiu assim ao comunicado emitido na noite da quinta-feira pelo senador republicano pela Carolina do Sul Jim DeMint no qual afirmou que o governo reconhecerá o pleito independentemente de se o presidente deposto for restituído e de se o voto do Congresso sobre seu futuro acontecer antes ou depois do dia 29 de novembro.

 

Fontes do Departamento de Estado disseram que o governo americano "está comprometido com o acordo" assinado na semana passada entre representantes do governo de facto, liderado por Roberto Micheletti, e do presidente deposto, Manuel Zelaya, e com sua "implementação". Esse acordo, em seu quinto ponto, deixa a decisão sobre a restituição ou não do deposto presidente nas mãos do Congresso.

 

"Nosso compromisso de apoiar as eleições hondurenhas é produto deste acordo" entre as duas partes, explicou o porta-voz do Departamento de Estado para a América Latina, Charles Luoma-Overstreet.

 

As declarações de DeMint, que apoiou desde o início o golpe de Estado contra Zelaya, aumentaram a polêmica gerada no começo desta semana por afirmações do secretário de Estado adjunto para a América Latina, Thomas Shannon, à rede CNN que os EUA respeitarão o que o Congresso de Honduras decidir sobre a restituição de Zelaya.

 

Na quarta-feira, o porta-voz do Departamento de Estado, Ian Kelly, reiterou que os EUA consideram que o presidente deposto de Honduras, deveria ser restituído, mas deixou claro que essa decisão corresponde ao país e que aceitarão o que as partes acertarem nesta fase do processo.

 

Retrocesso

 

A delegação de Micheletti culpou Zelaya pelo descumprimento do acordo ao não apresentar propostas para um governo de Unidade e pediu à Comissão de Verificação que assim o estabeleça. Os representantes do presidente deposto, no entanto responsabilizaram o governo de facto pelo retrocesso.

 

"Zelaya terá de admitir que não enviou até a meia-noite (de quinta-feira) uma resposta para integrar o Governo de unidade. Reconhecer que essa proposta não chegou e que isso é um descumprimento do ponto número um do acordo", afirmou o ministro da Presidência de facto, Rafael Pineda.

 

Pineda, no entanto, que está interino no cargo depois da exoneração de todo o Gabinete de Micheletti para que o governo de unidade fosse constituído, como estabelece o acordo, afirmou que ainda há tempo para o presidente deposto enviar suas sugestões.

 

"Tenho certeza que se o presidente (Micheletti)receber ainda pela manhã uma nota com a indicação dos nomes indicados por Zelaya podem integrar o Gabinete da Reconciliação e União Nacional estará disposto a integrá-lo", disse em declarações ao "canal 5" de televisão.

 

Já Zelaya, em entrevista à Rádio globo, afirmou que sua comissão decidiu "não continuar com esse teatro do sr. Micheletti". "A comunidade internacional deverá ver que medidas" tomar com o fracasso do acordo, disse ele.

 

"O acordo fracassou por causa de Micheletti... e porque o Congresso Nacional não se reuniu" para decidir sobre a volta de Zelaya, afirmou um assessor do líder deposto, José Arturio Reina.

 

Zelaya disse ser preciso "reverter o golpe" que o derrubou em 28 de junho antes de ser formado o governo de coalizão, ou seja, que ele deve ser restituído. Micheletti, entretanto, anunciou um novo governo às 23h50 (hora local) e disse que as portas estavam abertas para que ministros de Zelaya se unissem à iniciativa, mas não incluiu nenhum deles em sua equipe.

 

Zelaya foi expulso do país após o golpe, mas retornou em segredo e desde 21 de setembro está abrigado na embaixada do Brasil em Tegucigalpa. Em 30 de outubro, negociadores dos dois lados firmaram um pacto. O texto prevê que o Congresso decida sobre a volta ou não de Zelaya, mas não estabelece data para isso. Além disso, os deputados antes receberão informes de algumas instituições, entre elas a Corte Suprema, para então tomar a decisão.

 

"Basta boa vontade"

 

O embaixados dos EUA em Honduras, Hugo Llorens, afirmou que basta boa vontade política par que a crise seja solucionada.  "Se há boa fé e vontade política, isto pode se resolver", declarou Llorens à imprensa, ao chegar ao hotel na capital hondurenha onde estão hospedados os representantes do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, para assistir à Comissão de Verificação do pacto.

 

"Há diferenças entre ambas as partes, mas eu acho que a ideia é tratar de voltar à mesa para conseguir outra vez por este marco de implementação do acordo", assegurou o diplomata.

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