Evo Morales não vê obstáculos para terceiro mandato na Bolívia

O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse na sexta-feira que não há razão constitucional que o impeça de disputar um terceiro mandato em 2014.

HELEN PO, REUTERS

24 Setembro 2010 | 20h02

"Constitucionalmente, ainda tenho outra reeleição, porque minha primeira eleição, em 2005, foi sob a Constituição anterior", disse ele em Nova York, onde participa da Assembleia Geral das Nações Unidas.

A nova Constituição boliviana, aprovada no começo do ano passado, estabelece um limite de dois mandatos para o presidente. Morales foi reeleito ao final de 2009, e considera, portanto, que está em seu primeiro mandato sob a nova Carta.

"Esta é uma interpretação, é a nossa interpretação, e se baseia na constitucionalidade e na legalidade", acrescentou Morales, de 50 anos, ex-dirigente camponês de origem indígena. "Mas, por enquanto, estou focado neste mandato, não estou em campanha."

Dois outros presidentes esquerdistas da América do Sul, Hugo Chávez (Venezuela) e Rafael Correa (Equador), realizaram nos últimos anos reformas constitucionais que lhes permitiram prorrogar sua permanência no poder.

Morales governa com aprovação superior a 50 por cento, impulsionado pela atual fase de crescimento econômico e estabilidade política no país, o mais pobre da América do Sul.

No início do seu governo, Morales assustou os investidores com uma série de nacionalizações, principalmente de recursos energéticos. Mas o país escapou relativamente ileso à crise econômica global, e sua economia cresceu 3,4 por cento no ano passado, podendo chegar a 4 por cento em 2010.

Morales disse também que a boa fase econômica tem relação com suas políticas de redistribuição de renda, que ele prometeu ampliar.

"As famílias camponesas, especialmente no Altiplano, não queriam ter eletricidade instalada no passado, porque não podiam pagar as contas... Agora, um aposentado de 60 anos que recebe um pagamento social de 200 bolivianos (28 dólares) por mês pode pagar a conta da família inteira", afirmou.

Mas a crescente demanda elétrica esbarra em problemas de infraestrutura, e o governo pretende lançar títulos de sua dívida no exterior, pela primeira vez em 70 anos, para financiar projetos energéticos, como o de uma hidrelétrica na Amazônia boliviana.

Morales disse que o governo ainda não decidiu de quanto serão essas emissões, e nem quis especular sobre quais taxas de juros seriam aceitáveis.

Outra possível fonte de financiamento para as obras seriam as reservas internacionais do país, que se encontram atualmente no volume recorde de 8,9 bilhões de dólares. Morales disse que só cogitaria usar esse dinheiro quando o valor chegar a 10 bilhões de dólares.

"Temos um debate interno em andamento (...), algumas pessoas me dizem que deveríamos limitar as reservas em 6 bilhões de dólares, mas acho que deveríamos chegar a 10 bilhões de dólares. (Acima disso) o excesso iria automaticamente para investimentos, investimentos no setor produtivo", explicou.

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