Farc negam ter contribuído com campanha de Correa

Em entrevista para revista, chefe guerrilheiro também negou que tenha recebido armas da Venezuela

13 Agosto 2009 | 06h12

O líder máximo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), "Alfonso Cano", negou que a guerrilha tenha doado dinheiro à campanha eleitoral do atual presidente equatoriano, Rafael Correa, e recebido armas da Venezuela.

 

Em entrevista que será publicada nesta quinta pela revista colombiana Cambio e cujo conteúdo foi antecipado nesta quinta-feira, 13, o chefe guerrilheiro insiste na troca humanitária e afirma que exigiu "garantias de modo, tempo e lugar" para analisar com representantes do governo "a viabilidade e os termos" de tal proposta.

 

"Não entregamos nem armas nem dinheiro a governos ou organizações de outros países. Por que haveríamos de contribuir à campanha eleitoral de uma pessoa, como o atual presidente Rafael Correa, que nem sequer conhecemos?", assegurou Guillermo León Sáenz, conhecido como Alfonso Cano.

 

Há algumas semanas, foi divulgado um vídeo em que o chefe militar das Farc, "Mono Jojoy", fala de uma "ajuda em dólares" dada à campanha de Correa, mas os rebeldes negaram a veracidade dias depois em comunicado.

 

Na entrevista, a primeira à imprensa colombiana desde que chegou à cúpula das Farc, Alfonso Cano também fala da polêmica sobre os lança-foguetes que teriam sido entregues pela Venezuela.

 

Segundo Cano, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, "recorreu ao terror midiático" para insinuar que o governo da Venezuela facilitou armas às Farc.

 

"Tínhamos capturado os lança-foguetes há muito em um enfrentamento militar na fronteira, fato que foi amplamente informado à opinião então", explicou.

 

Cano esclareceu que as conversas com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, "cessaram" quando Uribe decidiu separá-lo em novembro de 2007 de seu trabalho de mediador para um acordo humanitário.

 

Sobre os computadores do antes segundo no comando da guerrilha "Raúl Reyes", o atual chefe das Farc comentou que neles foi achado "o que os governos de Bogotá e Washington queriam que houvesse", e que "transformaram isso em aríetes" contra países como Equador e Venezuela.

 

Perguntado se tem algum contato com o Governo, respondeu taxativamente que "não" e acusou Uribe de "impedir" a libertação unilateral do cabo Pablo Emilio Moncayo, anunciada pelos próprios rebeldes em abril passado.

 

Segundo Cano, a guerrilha enfrenta atualmente "a maior ofensiva contra-insurgente já feita na América Latina", graças em parte à ajuda econômica que a Colômbia recebe dos EUA. Porém, frisou que o grupo não sofre uma "crise" nem "raves problemas internos".

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