Francisco Munoz/AP
Francisco Munoz/AP

'Farei o que sempre fiz: militar', diz Cristina ao votar na Argentina

País vai às urnas neste domingo e, pela primeira vez em 12 anos, não vê um Kirchner na disputa presidencial

Rodrigo Cavalheiro, correspondente, O Estado de S. Paulo

25 Outubro 2015 | 16h42

(Atualização às 18h)

BUENOS AIRES - A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, disse neste domingo, 25, que deixa um país "normal" após oito anos no poder, mencionando o que o marido, Nestor Kirchner, disse em 2003 ao assumir o governo. Ela se emocionou ao falar do político morto em 2010: "Cumprimos a promessa: deixamos um país normal". A líder de 62 anos deixará a Casa Rosada em 10 de dezembro. 

Cristina votou ao meio-dia (horário local) na Provincia de Santa Cruz, berço político de sua família, no pleito que elegerá seu sucessor. Impedida pela lei eleitoral de concorrer ao terceiro mandato consecutivo, ela foi questionada sobre o que fará após entregar o cargo: "Farei o que sempre fiz: militar", respondeu.

O candidato que está à frente nas pesquisas é o governador de Buenos Aires Daniel Scioli, da Frente para a Vitória, mesmo partido de Cristina. Para vencer, ele precisa que os 32 milhões de eleitores aptos a participar lhe garantam 40% dos votos e deixem o segundo colocado a uma diferença de mais de 10 pontos. O segundo turno das eleições presidenciais na Argentina está marcado para 22 de novembro.

Na reta final da campanha presidencial, Cristina viajou três vezes a Santa Cruz. Sua cunhada, Alicia Kirchner, está em uma disputa acirrada pelo governo local. O filho de Cristina, Máximo, tende a ser eleito deputado pela província graças ao peso dos votos da coalizão kirchnerista.

Esta é a primeira vez em 12 anos que um Kirchner não está na disputa nas eleições presidenciais no país. O falecido marido de Cristina, Nestor Kirchner (1950-2010), governou a Argentina entre 2003 e 2007, com Scioli como seu vice-presidente.

Muitos acreditam, entretanto, que Cristina continue a ter influência no governo caso seu colega de partido seja eleito, tese já refutada pelo candidato.

Movimentação. O temor de que a eleição presidencial argentina se transformasse em uma versão maior do que ocorreu na Província de Tucumán em agosto, quando urnas foram queimadas e a votação para governador chegou a ser anulada, dissipou-se pelo menos enquanto as urnas estavam abertas. Até o início da tarde, tinham votado 30% dos 32 milhões de eleitores aptos a participar.

Ao votar, o governista Daniel Scioli pediu "que ninguém faça especulação". "Que ninguém manche o resultado", pediu, ao sair do centro eleitoral montado em Tigre, cidade em que vive, a 50 quilômetros de Buenos Aires. 

Como as pesquisas apontavam que uma pequena margem definirá a necessidade de uma nova votação em 22 de novembro, a Justiça Eleitoral pediu que não houvesse declarações antecipadas de vitória ou que questionem a legitimidade da eleição. Em Tucumán, no norte do país, houve irregularidades depois da votação e até durante a recontagem dos votos, quando fiscais tentaram entrar com cédulas na sala de conferência.

Scioli governa há oito anos a Província de Buenos Aires, onde estão 37% dos eleitores do país. Considerado um peronista moderado, nunca empolgou a ala da presidente Cristina Kirchner, cuja liderança personalista impediu qualquer dirigente próximo de se tornar popular. Scioli foi seu último recurso.

O ex-piloto de lancha, que perdeu o braço direito em um acidente em 1989, promete mudar gradualmente uma economia com inflação alta - 15% para o governo e 25% para consultorias -, acesso limitado a crédito e baixas reservas, - o Banco Central tem US$ 27 bilhões. Ele prometeu que um acordo com o Brasil diminuiria a escassez de dólares, razão pela qual o câmbio é controlado desde 2011, o que atrapalha importações e exportações. (Com informações da AP e da EFE).

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