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Força militar da Colômbia pode vencer guerrilheiros se processo de paz falhar, diz comandante

As forças armadas colombianas podem derrotar a guerrilha militarmente se as negociações de paz para encerrar mais de meio século de conflito armado fracassarem, disse nesta quarta-feira o principal comandante militar do país.

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LUIS JAIME ACOSTA,
REUTERS

03 Setembro 2014 | 21h41

Por quase dois anos, o governo do presidente Juan Manuel Santos e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) negociam em Cuba um acordo para acabar com a guerra interna que deixou mais de 200.000 mortos.

"Se por uma infeliz situação não for alcançado o objetivo de dar um fim ao conflito, as Forças Armadas estão capacitadas, e continuaremos sem vacilar com o cumprimento da nossa missão", disse em entrevista à Reuters o comandante das Forças Armadas, o general Juan Pablo Rodriguez .

"Vamos continuar com o processo de neutralização destes grupos terroristas até dizimar significativamente sua capacidade e transformá-los em grupos totalmente irrelevantes, que não afetam a segurança e o desenvolvimento do país", acrescentou.

Apesar de participarem da mesa de negociação, as Forças Armadas - que têm efetivo de cerca de 276 mil homens - continuam lutando nas selvas e montanhas contra as Farc, que têm cerca de 8.000 combatentes, diante da recusa do presidente para um cessar-fogo proposto pelos rebeldes.

Santos acredita que suspender a ofensiva militar também poderia prolongar as negociações e dar espaço para os rebeldes se fortalecerem militarmente.

Mas embora as Farc tenham perdido vários chefes importantes e sofrido deserções, elas ainda têm musculatura para orquestrar ataques como os feitos recentemente em oleodutos.

Analistas políticos estão convencidos de que a solução para o conflito mais antigo do hemisfério deve ser negociada.

"Não seremos nenhum obstáculo para a paz, mas sim sentinelas perenes para a soberania, integridade territorial e ordem interna", disse Rodriguez, que passou 35 dos seus 55 anos lutando contra os guerrilheiros.

Desde que as negociações começaram os militares têm ficado longe dos holofotes e raramente são mencionados no processo de paz.

Recentemente, um grupo de militares foi incorporado ao processo de negociação com a guerrilha. Pela primeira vez, os rivais no campo de batalha sentaram-se frente a frente para discutir a espinhosa questão de desmobilização e entrega de armas.

No processo de diálogo, as partes chegaram a acordos para fornecer acesso à terra para os pobres em áreas rurais, sobre as garantias para a participação política dos rebeldes e sobre os mecanismos de combate ao tráfico de drogas a partir da erradicação de cultivos de coca.

Atualmente, eles negociam a compensação das vítimas do conflito, que também deixou milhões desabrigados.

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