Ministério da Defesa / AP
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Fornecedoras de submarino desaparecido são acusadas de corrupção

Segundo TV pública alemã, duas empresas que forneceram baterias para o ARA San Juan, desaparecido no mar da Argentina desde 15 de novembro, estariam envolvidas em denúncias de suborno

O Estado de S.Paulo

10 Dezembro 2017 | 17h20

Duas empresas alemãs que forneceram baterias ao submarino argentino ARA San Juan, desaparecido desde o dia 15 de novembro, são suspeitas de terem pago subornos para conseguir o contrato, em 2011, e de terem oferecido peças de qualidade inferior, segundo informações da Bayerischer Rundfunk, cadeia pública de televisão e rádios da Alemanha.

O ministério do Interior da Alemanha confirmou ao veículo que recebeu por escrito, da Comissão para Assuntos Exteriores do parlamento argentino, um pedido de informações sobre o caso. A petição foi remetida para o departamento de Economia.

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"Existe a suspeita de que as baterias que foram substituídas não eram, em parte ou em nada,  da qualidade que deveriam ter sido. Não sabemos de onde vieram, se da Alemanha ou de outro país. Por isso queremos saber que técnicos estavam no lugar e quem assinou a responsabilidade dizendo: 'bem, isso está reparado'", diz a presidente da comissão, Cornelia Schmidt-Liermann. 

A parlamentar sublinha que existe a suspeira de que houve subornos e de que "empresas alemãs estiveram envolvidas" nesses casos.

"As suspeitas sugerem que houve corrupção", denuncia o ministro argentino da Defesa, Oscar Aguad. Segundo ele, uma denúncia de corrupção que chegou aos tribunais foi "varrida para baixo do tapete" e também há testemunhos que indicam que foram utilizados materiais sem a qualidade requerida.

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As empresas sob suspeita são a Ferrostaal e a EnerSys-Hawker. Segundo a rede de televisão, os trabalhos realizados o submarino não foram suficientemente documentados, quando houve um processo de manutenção que, entre outras reformas, trocou as baterias da embarcação.

O submarino se comunicou pela última vez na manha de 15 de novembro na zona do Golfo de São Jorge, a 432 quilômetros da costa argentina. Poucas horas antes, o comandante havia comunicado a entrada de água no local das baterias, o que provocou um curto-circuito e um princípio de incêndio, problema que haveria sido debelado, já que o submarino seguiu rumo à base, em Mar del Plata.Segundo a rede de televisão, Ferrostaal e EnerSys-Hawker firmaram em 2011 um contrato de 5,1 milhões de euros em troca de 964 baterias — em que há suspeita de subornos.  A Ferrostaal diz que não tem nenhuma responsabilidade no caso, já que se limitou a mediar o contrato e cobrar uma comissão por ele. A EnerSys-Hawker, que substituiu as baterias, não se manifestou.  /EFE

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