Rodrigo Abd/AP
Rodrigo Abd/AP

Governo de facto invade rádio e tira TV do ar em Honduras

Redação é invadida de madrugada e jornalistas saltam pela janela para fugir, relata Denise Chrispim Marin

Denise Chrispim Marin, enviada especial de O Estado de S. Paulo,

28 Setembro 2009 | 11h21

Forças de segurança leais ao governo de facto de Honduras invadiram e fecharam nesta segunda-feira, 28, a Rádio Globo de Tegucigalpa, um dos poucos veículos de comunicação do país favoráveis ao presidente deposto, Manuel Zelaya. A TV Cholusat Sur, que também mantinha uma linha opositora está cercado por militares e saiu do ar. No domingo, o governo de Roberto Micheletti decretou um estado de sítio que proibiu liberdades individuais e limitou a imprensa.

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Às cinco horas da manhã os jornalistas David Romero e Rony Martinez e sua equipe técnica começavam o programa Notícias Rádio Globo quando cerca de 300 soldados do Exército encapuzados cercaram o edifício. Eles derrubaram a porta principal, que fica no terceiro andar, e começaram a destruir o interior da rádio. Os funcionários correram para o fundo do prédio, de onde saltaram da janela para escapar da prisão. Alguns deles se machucaram na queda, segundo Rony Martinez.

 

A rádio ficou toda destruída e equipamentos foram levados em uma caminhonete pelo Exército. No Canal 36, as forças de segurança não chegaram a destruir o interior da redação, mas houve confisco de material. Ironicamente, o sub-inspetor Luna afirmou que a missão dele era de resguardar o edifício dos manifestantes.

 

De acordo com o decreto do estado de sítio, o governo pode suspender meios de comunicação que "atentem contra a paz e a ordem pública". A rádio Globo e a TV Cholusat Sur, únicos veículos que não apoiaram o golpe, foram tirados do ar em várias ocasiões nos últimos três meses. As duas emissoras têm divulgado declarações de Zelaya e convocam seus partidários às manifestações.

O ministro do Interior do governo de facto, Oscar Matute, disse que a liberdade de expressão pode ser restringida para preservar a segurança nacional.  "Não se trata de coibir a liberdade de expressão, mas sim de que, se há um meio que está incitando ao ódio e à violência, é um dever impor-lhe um basta", disse em entrevista telefônica à Reuters.

"Há um par de meios de comunicação (...) que o que têm feito é semear a discórdia (...). Isso nos parece que deve ser regulado", disse Matute.

 

Há uma forte presença militar nas ruas da cidade. Muitos caminhões do Exército patrulham os principais pontos de Tegucigalpa. Partidários de Zelaya se concentram na Universidade Pedagógica Nacional Francisco Morazán, de onde deve sair uma manifestação contra o governo. A polícia ainda não interviu, mas se teme que quando a manifestação avance haja repressão. Ontem, o comissário Orlin Cerrato disse que eles iriam usar toda força de dissuasão contra qualquer ato político.

 

Com informações da Reuters

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