Hugo Chávez nacionaliza banco do grupo Santander

Decisão de estatizar o Banco da Venezuela havia sido anunciada no ano passado

BBC Brasil,

20 Março 2009 | 07h54

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou nesta quinta-feira, 19, a nacionalização de uma das maiores instituições financeiras do país, o Banco da Venezuela, que pertence ao grupo espanhol Santander. Em meio à crise financeira internacional, que tem afetado a economia do país com a abrupta queda do preço do petróleo, o presidente venezuelano afirmou que não retrocederia na decisão, que havia sido anunciada por ele no ano passado.

 

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"Não, nada para trás. Hoje retomamos o tema, anuncio a nacionalização do Banco da Venezuela para dar mais força ao sistema bancário público nacional", afirmou o presidente durante uma reunião ministerial transmitida pelo canal estatal. No ano passado, Chávez adiantou que pretendia transformar a rede do Banco da Venezuela, com sucursais em todo o país, em uma versão venezuelana da Caixa Econômica Federal. Chávez não informou, porém, quando a compra será efetivada.

 

No início do mês, o ministro de Finanças, Ali Rodriguez, afirmou que o governo e o grupo espanhol mantinham uma "excelente relação", mas não haviam chegado ainda a um acordo sobre a nacionalização. A imprensa venezuelana afirmou em novembro que as negociações estavam estancadas porque não havia acordo quanto ao valor a ser pago como indenização.

 

O grupo Santander estaria exigindo o equivalente a US$ 1,2 bilhão, mas a oferta do governo era de US$ 800 milhões. O Banco da Venezuela é uma das principais instituições do sistema financeiro do país e conta com pelo menos US$ 700 milhões investidos em operações na Venezuela.

 

Expropriações

 

Esta medida se soma a outras que o governo venezuelano vêm tomando nas últimas semanas, após prometer "aprofundar" a revolução bolivariana. Há duas semanas, o governo retomou as expropriações de terras consideradas ociosas e determinou a estatização da produção de arroz da multinacional norte-americana Cargill. As estatizações dos setores considerados estratégicos, porém, ocorrem desde 2007.

 

A partir deste período, foram nacionalizadas as companhias de telecomunicações e de eletricidade, a faixa petrolífera do rio Orinoco, a maior indústria siderúrgica do país e três empresas de cimento. Em todos os processos, o governo pagou pela aquisição das empresas.

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