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Importação de energia é o ralo da balança Argentina

Marina Guimarães, Correspondente

05 Janeiro 2014 | 08h 21

A crise energética bateu na porta da Argentina em 2006, depois de um crescimento anual médio nos anos anteriores de 8%, em uma franca recuperação da economia que havia entrado em default em dezembro de 2001.

Sem regras claras para atrair investimentos, o setor ficou esquecido e passou a exigir importações crescentes de diesel, gás e eletricidade. A conta energética é uma das maiores dores de cabeça do governo da presidente Cristina Kirchner, já que consome as escassas reservas depositadas no Banco Central, estimadas em US$ 30,58 bilhões.

Conforme projeções do analista econômico Daniel Montamat, ex-secretário de Energia, o ano de 2013 terminou com um aumento de 25% das importações energéticas, que subiram a US$ 12 bilhões, na comparação com 2012. As projeções para este ano apontam um gasto adicional de US$ 2 bilhões na compra de energia. "A conta vai continuar subindo mesmo no cenário de estancamento da economia previsto para 2014, porque a oferta de petróleo e de gás continua baixa, exigindo importação", afirmou Montamat.

Para o ex-secretário de Energia Jorge Lapeña, as estimativas de gastos para este ano são realistas diante do aumento da demanda de gasolina, óleo diesel e eletricidade - e da baixa oferta nacional. O analista declarou que as falhas na distribuição de energia, provocadas pelo curto-circuito de fios e cabos de transmissão e transformadores, repetem-se todos os anos, deixando evidente a falta de investimentos no setor.

"Essa situação indica que o problema não é a geração, mas a falta de ampliação da rede e sua substituição", afirmou. Lapeña disse que a situação atual "é fruto de uma política irracional em matéria tarifária, praticada nos últimos 11 anos de governo kirchnerista".

Concessionárias. Segundo Lapeña, não é correto o governo Kirchner acusar as empresas distribuidoras de energia de não satisfazer a demanda porque ela chegou a um recorde.

"Um sistema elétrico bem planejado, investido e administrado deve abastecer toda a demanda e o governo não pode responsabilizar a clientela por consumir mais. No entanto, os clientes têm a obrigação de pagar a tarifa elétrica de acordo com o seu tipo de consumo, que forma parte do quadro tarifário e permite à empresa prestadora de serviços arcar com todos os custos de produção, transmissão e comercialização dessa energia", ponderou Lapeña.

O analista afirmou ainda que as tarifas residenciais congeladas e as restrições ao fornecimento da indústria para satisfazer a demanda residencial não permitem a captação de mais recursos para as empresas, para que elas possam investir no sistema de abastecimento. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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