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Internacional

Argentina

Incêndio em Buenos Aires tira do ar canais do Grupo Clarín

Fogo em um depósito de cenários fez estúdios serem tomados por fumaça; programas são conhecidos pelas críticas ao kirchnerismo

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Rodrigo Cavalheiro, correspondente,
O Estado de S.Paulo

31 Janeiro 2016 | 16h38

BUENOS AIRES - Um incêndio em um depósito de Buenos Aires tirou do ar os dois principais canais de TV do Grupo Clarín no início da tarde deste domingo, 31. Os estúdios do canal 13, de emissão aberta, e Todo Noticias, a cabo, foram esvaziados antes de serem tomados pela fumaça proveniente do edifício anexo. 

De acordo com os bombeiros, não houve feridos pelas chamas. Oxigênio foi ministrado a alguns empregados afetados pela fumaça negra que podia ser vista a 5 quilômetros. Pelo menos 12 ambulâncias foram mandadas para o lugar, no bairro de Constituición, perto da Avenida 9 de Julio, a principal da cidade. A quadra inteira, onde funcionam outras unidades menores de TV a cabo, foi isolada. O depósito abrigava cenários de programas atuais e antigos. Além de madeira, armazenava produtos inflamáveis como tinta e aerosol.

O jornalista esportivo Hernán Castillo estava no ar e ao deixar o prédio tuitou."Oi pessoal. Literalmente e sem piada, parte do canal está pegando fogo e temos de sair". Quem tentava sintonizar a programação das emissoras encontrava uma tela negra.

Perfil. Tanto o 13 quanto o TN adotaram uma linha crítica ao governo Cristina Kirchner desde 2008, quando a ex-presidente enfrentou produtores rurais em um projeto para aumentar taxas sobre a produção agropecuária. A ex-presidente promoveu a Lei de Mídia, aprovada em 2009 e considerada constitucional em 2013, cuja principal meta era desmembrar conglomerados de comunicação.

O Grupo Clarín é o maior do país e tem na distribuição do serviço a cabo sua atividade mais lucrativa. A Lei de Mídia exigia que a empresa se desfizesse de partes do negócio. Com um decreto, Macri desativou a parte da legislação que determinava a venda de ativos pelas grandes empresas, o que o kirchnerismo tenta reverter na Justiça. 

O 13 transmitia o programa dominical de Jorge Lanata, jornalista que publicou as principais investigações contra Cristina. O programa "Periodismo para Todos" deixou de ir ao ar após a chegada de Mauricio Macri à Casa Rosada. O canal TN se dedica a notícias 24 horas. À noite, a programação é dominada por entrevistas e debates políticos de linha antikirchnerista. 

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