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Justiça encerra processo sobre enriquecimento dos Kirchner

Fortuna do casal aumentou 497% em seis anos e chega a US$ 11,6 milhões, investidos principalmente em imóveis

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Ariel Palacios, de O Estado de S. Paulo ,

30 Dezembro 2009 | 08h29

A presidente Cristina Kirchner e seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007), não serão mais investigados pelas suspeitas de enriquecimento ilícito. A Vara Federal portenha anunciou o encerramento do processo que investigava o aumento da fortuna do casal presidencial, que entre 2003 - ano em que Néstor Kirchner tomou posse - e 2008 aumentou em 497%. Só no primeiro ano de governo da presidente Cristina (2008), o aumento foi de 158%. A expansão patrimonial do casal, cujos bens - basicamente imóveis na província de Santa Cruz e na cidade de Buenos Aires - chegam a US$ 11,6 milhões, chamou a atenção dos partidos da oposição, da opinião pública e dos analistas políticos.

 

A Vara Federal confirmou a decisão, tomada dias atrás, pelo juiz federal Norberto Oyarbide, que havia declarado que o casal Kirchner não tinha motivos para ser processado, pois o enriquecimento de ambos "não apresentava irregularidades". O ex-presidente Kirchner, ao saber da suspensão das investigações sobre suposto enriquecimento ilícito, ressaltou que seu aumento de patrimônio está "justificado".

 

Promotor

 

O promotor federal Eduardo Taiano não apelou da decisão de Oyarbide. A omissão do promotor foi encarada como uma atitude suspeita pelos líderes da oposição. A União Cívica Radical (UCR), o principal partido da oposição, anunciou que pedirá o julgamento político de Taiano. A decisão do juiz Oyarbide também não foi questionada pelo diretor da Promotoria de Investigações Administrativas (Fia), órgão que, teoricamente, deveria investigar os atos de corrupção ocorridos dentro do Estado argentino.

 

"Impressionante"

 

O ex-presidente Eduardo Duhalde (2002-2003) considerou recentemente que o aumento de patrimônio do casal Kirchner era "impressionante". Segundo Duhalde, ex-padrinho político de Kirchner (e atualmente um de seus principais inimigos), "quando uma pessoa chega à presidência da República, está pensando em seu crescimento ou em fazer empresas? Ele não possui tempo!".

 

Pinguins

 

Diversas pessoas do entourage dos Kirchner foram denunciadas nos últimos anos por suspeitas de enriquecimento ilícito. O grupo é chamado ironicamente de "La Pingüinera" ("A Pinguineira"), em alusão às origens patagônias de dezenas de pessoas que os Kirchner levaram para Buenos Aires quando chegaram ao poder em 2003. Além do casal Kirchner, doze juízes federais estão investigando o poderoso ministro do Planejamento Federal e Obras Públicas, Julio De Vido (braço direito dos Kirchner na área econômica); o secretário de Energia, Daniel Cameron; o ex-secretário de Meios, Enrique Albistur; e o ex-secretário dos Transportes, Ricardo Jaime.

 

No entanto, nos últimos seis anos, um total de 130 processos que investigavam casos de corrupção dos funcionários kirchneristas foram arquivados ou encerrados.

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