Oposicionistas estão em greve fome contra Corte Eleitoral na Bolívia

Oposição afirma que órgão favoreceu partido de Evo na divisão de cadeiras das assembleias

06 Maio 2010 | 19h28

Efe

 

LA PAZ- Pelo menos 60 oposicionistas bolivianos - entre eles dois deputados - mantêm nesta quinta-feira, 6, uma greve de fome contra a Corte Nacional Eleitoral (CNE), acusada de ter favorecido o partido do presidente Evo Morales na distribuição de cadeiras nas assembleias departamentais.

 

Em La Paz, mais de 30 pessoas protestam em piquetes instalados na Defensoria Pública, Câmara dos Deputados, pátio da Assembleia Permanente de Direitos Humanos da Bolívia (APDHB) e em sedes de partidos políticos.

 

O deputado do partido de oposição União Nacional (UN), Jaime Navarro, confirmou à Agência Efe que mantém a greve de fome iniciada na noite desta terça-feira no Parlamento, o que obrigou o órgão a suspender hoje a sessão de tomada de juramento do novo defensor público.

 

Ele também denunciou que funcionários da APDHB "maltrataram e desalojaram" de seus escritórios 12 mulheres da UN que tentaram iniciar uma greve de fome na terça-feira. Depois elas se instalaram no pátio dessa organização.

 

A entidade negou as acusações e rebateu, denunciando que a UN tentou tomar seus escritórios de forma "violenta".

 

O ex-candidato ao governo de La Paz pela UN, Carlos Hugo Laruta, que liderava o protesto na Defensoria, abandonou a greve na quarta-feira por problemas de saúde, após passar nove dias sem comer.

 

Militantes da aliança oposicionista Plano Progresso Bolívia Convergência Nacional (PPB-CN) também estão em greve em La Paz, mais 12 pessoas fazem protestos na região central de Cochabamba e 15 na cidade sulina de Sucre.

 

As forças oposicionista acusam o presidente da CNE, Antonio Costas, de ter assinado resoluções sobre a repartição de cadeiras nas assembleias regionais que favoreceram o partido de Morales, o Movimento Ao Socialismo (MAS), após as eleições regionais realizadas no dia 4 de abril.

 

Costas rejeitou os pedidos de demissão e defendeu a fórmula de repartição de cadeiras com o argumento de que ela foi aprovada nas leis de fevereiro e não foi fruto de resoluções posteriores ao pleito, como acusa a oposição.

 

Os governadores e participantes da assembleia dos nove departamentos escolhidos nas eleições de 4 de abril devem receber na sexta-feira suas credenciais de novas autoridades.

 

No entanto, os oposicionistas tentam frear a cerimônia mediante recursos legais e impugnações, a fim de que a repartição de cadeiras não "seja consumada".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.