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Opositores argentinos pedem renúncia de vice

Ariel Palacios - CORRESPONDENTE/BUENOS AIRES - O Estado de S. Paulo

29 Junho 2014 | 18h 14

Amado Boudou será julgado por suspeita de corrupção no caso Ciccone; opositores pedem que político também perca cargo no Parlamento

Os líderes dos partidos da oposição argentina exigiram no fim de semana a renúncia do vice-presidente Amado Boudou. Na sexta-feira, 27, o juiz federal Ariel Lijo decidiu dar continuidade a um processo contra Boudou pelo escândalo de corrupção da gráfica Ciccone. A oposição também pede o julgamento político do vice argentino, para que, eventualmente, ele seja removido de seu cargo no Parlamento.

Boudou, integrante mais impopular do governo de Cristina Kirchner, é acusado de aceitar, em 2010, quando ele ainda era ministro da Economia, 70% das ações da empresa em troca de sua influência para salvar a companhia da falência.

A decisão do juiz torna Boudou o primeiro vice-presidente em exercício da história argentina a ser processado e gerou uma reação imediata nos partidos da oposição. O ex-vice-presidente Julio Cobos afirmou que os delitos pelos quais Boudou é acusado “implicam em um distanciamento do vice do governo”. “Caso ele não saia, é preciso iniciar um julgamento político.”

A deputada de esquerda, Victoria Donda, reforçou a tese que Boudou não pode continuar como vice-presidente. Já o líder trotskista Jorge Altamira, crítico do kirchnerismo, pediu um plebiscito “para que o povo decida o futuro de Boudou, caso ele não renuncie”. O Partido Proposta Republicana (PRO), de oposição de direita, também exige o julgamento político de Boudou.

O presidenciável Sérgio Massa, da Frente Renovadora, representante do peronismo dissidente que nas eleições parlamentares do ano passado derrotou o kirchnerismo, declarou ontem que seria um “erro” pedir a renúncia de Boudou. “Isso seria lavar as mãos perante o povo. É preciso o impeachment do vice e sua remoção”, defendeu.

Uma pesquisa elaborada pela consultoria Federico González e Cecília Valladares Associados indicou que apenas 19,8% dos argentinos considera que Boudou é inocente. Outros 61,8% afirmam que é culpado, enquanto que 18,4% não possuem opinião formada.

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