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Partido Socialista da Venezuela suspende dirigente por críticas ao governo

BRIAN ELLSWORTH - REUTERS

25 Junho 2014 | 21h 45

O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) suspendeu um dos seus ideólogos e ex-ministro por apoiar recentes denúncias de corrupção contra o governo de Nicolás Maduro, de acordo com a mídia local, em um sinal de que o presidente enfrenta uma crescente dissidência na sua coalizão.

Héctor Navarro, diretor nacional do PSUV, publicou na véspera uma carta em um popular portal governista apoiando o ex-ministro do Planejamento Jorge Giordani e pedindo que fossem investigadas as denúncias que indicavam que o governo não administrou corretamente bilhões de dólares por meio do controle cambial.

Navarro, que foi ministro em várias ocasiões durante o mandato do falecido Hugo Chávez, terá que explicar a sua posição ao tribunal disciplinar do PSUV, escreveu o dirigente em uma nota pública reproduzida pela mídia local.

As críticas recentes marcam uma ruptura em relação ao mandato de Chávez, que teve um estilo de comando semelhante ao dos quartéis, ajudando a manter a disciplina dentro da heterodoxa coalizão que liderou por 14 anos.

Embora Maduro não tenha mencionado diretamente os ex-ministros, ele prometeu que dirá muitas verdades para derrubar a máscara deles, referindo-se aos seus detratores, e disse que nem "a direita golpista" nem a "esquerda ultrapassada" o impedirá de continuar com as suas funções de governo.

Na carta publicada na terça-feira, o ex-ministro da Educação expressou solidariedade a Giordani e criticou os membros do governo que o chamaram de traidor, indicando que Maduro "precisa refletir" e responder "às muitas questões que surgem a partir da denúncia".

"O traidor é Giordani porque, por exemplo, denunciou a alocação de dólares para empresas fantasmas e propôs ações para evitar que isso acontecesse?", diz na carta publicada no site chavista Aporrea.org.

As autoridades reconheceram a fuga de pelo menos 20 bilhões de dólares nos últimos anos para a compra de matérias-primas e produtos acabados através de alocações a empresas de fachada, por meio do rigoroso controle cambial mantido pela Venezuela desde 2003.