RCTV volta a ser transmitida por assinatura na Venezuela

A partir da 6 horas (hora local), canal entra no ar através da Directv, Inter, NET Uno e Planet Cable

Efe

16 Julho 2007 | 02h24

A rede de televisão privada Radio Caracas Televisión (RCTV) começa nesta segunda-feira, 16, a transmitir via cabo e satélite por assinatura, 50 dias após sair do ar em maio. O governo da Venezuela não renovou a licença de transmissão.   Sob a denominação de Radio Caracas Televisión (RCTV) Internacional, o sinal será transmitido a partir das 6 horas (7 horas de Brasília) através das companhias Directv, Inter, NET Uno e Planet Cable, segundo a empresa de televisão.   A RCTV Internacional iniciará as transmissões com uma versão do Hino Nacional cantada pelos funcionários da emissora, e com o programa de entrevistas e opinião do jornalista Miguel Ángel Rodríguez, acusado pelo governo de supostamente ser agente da CIA (agência de inteligência americana) na Venezuela.   Pela manhã, exibirá o especial Dias de silêncio, no qual os funcionários contarão suas experiências enquanto estiveram fora do ar, e também o telejornal El Observador, segundo dados publicados no domingo pela imprensa local.   À noite, exibirá o principal programa da RCTV e clássico do humor venezuelano, a Rádio Rochela, e também resumos das telenovelas transmitidas pela emissora quando saiu do ar.   O vice-presidente de Comercialização da "RCTV", Julián Isaac, disse que com o novo formato de transmissão por assinatura, a empresa deixará de receber 80% da receita que obtinha quando tinha sinal aberto.   O ministro de Telecomunicações venezuelano, Jesse Chacón, afirmou na sexta-feira que o retorno das transmissões da "RCTV" desmente a versão de que o Governo tinha fechado a emissora.   O caso   A RCTV encerrou as transmissões em sinal aberto através da freqüência do canal dois à meia-noite de 27 de maio, quando expirou sua concessão de 20 anos. O governo do presidente venezuelano, Hugo Chávez, não renovou com vários argumentos, entre eles a postura "golpista" da rede.   Poucos minutos depois de sair do ar, começou a ser transmitida pelo canal dois a rede TVes, promovida pelo governo "revolucionário" como a primeira televisão pública da Venezuela.   Marcel Granier, diretor da empresa 1BC, proprietária da RCTV, classificou como "ilegal e inconstitucional" a medida governamental de não renovar a concessão da TV privada, que espera pelo início de um julgamento na Sala Político-Administrativa do Supremo venezuelano.   Em 25 de maio, o tribunal aceitou um recurso apresentado pela RCTV contra a medida governamental de não prorrogar a licença, apesar de ter autorizado o uso temporário das equipes da rede pela nova TVes.   Granier, opositor declarado do governo chavista, chamou de roubo a decisão judicial que autorizou o Governo a utilizar suas equipes "sem nenhum tipo de compensação econômica".   Também tomou como "uma grande injustiça" e "um novo imposto" para os venezuelanos a população ter agora que "pagar para ver" a programação da emissora.   Quando saiu do ar, a RCTV contava com mais de 80% da preferência dos espectadores, segundo pesquisas locais.   A saída do ar da RCTV gerou reações de condenação à medida oficial em setores políticos, sociais e sindicais da Venezuela e de outros países dos continentes americano e europeu, a maioria deles tradicionalmente opositores do Governo de Chávez.

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