Repouso leva Chávez a governar Venezuela remotamente

O repouso ao qual o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, precisará se submeter depois das sessões de radioterapia realizadas em Cuba o obrigará a manter uma presença quase virtual no governo e a desacelerar o ritmo dos seus compromissos eleitorais.

MARIANNA PARRAGA, REUTERS

26 Março 2012 | 18h28

Chávez iniciou no sábado a nova etapa do seu tratamento contar o câncer, que consistirá em cinco sessões de radioterapia -período que deve ser de idas e vindas para Cuba, justo quando ele deveria estar preparando sua campanha para disputar um novo mandato, em outubro, contra o governador Henrique Capriles.

"Ele prometeu que iria fazer seu repouso, e estamos seguros de que ele vai cumprir", disse na segunda-feira a ministra da Saúde, Eugenia Sader, ao canal estatal VTV. "O paciente de que você fala, nosso comandante, é um paciente disciplinado."

Desde que se submeteu a uma primeira operação contra o câncer, o presidente socialista, de 57 anos, tem reduzido sua agenda.

A oposição diz que, pela Constituição, ele precisaria nomear um substituto para o período de afastamento, mas o governo garante que isso não é necessário.

"Há absoluta confiança de que o presidente Chávez vai superar isso. Hugo Chávez é um homem de briga, de combate", disse o vice-presidente Elías Jaua dias atrás, reiterando que Chávez será candidato à reeleição.

Uma fonte familiarizada com o caso de Chávez disse à Reuters que a radioterapia pode produzir efeitos colaterais que obrigariam o presidente a novamente reduzir o ritmo. Essa fonte acrescentou que o Hospital Militar de Caracas está plenamente capacitado para recebê-lo.

Se o presidente não delegar tarefas durante a sua recuperação, sua gestão pode se tornar mais "virtual" até o início da campanha, em julho, a exemplo do que aconteceu em 2011, quando ele recorreu a uma assinatura digital e ao uso de meios de comunicação públicos para enviar mensagens e supervisionar obras e atos do governo.

Analistas concordam que a permanência de Chávez à frente do governo é necessária para preservar a unidade dos seus seguidores no ano eleitoral, e que o afastamento tornaria difícil para o presidente transformar em voto a popularidade dos seus programas sociais.

Todos os ministros se empenham em mostrar que o governo funciona apesar da ausência de Chávez, mas isso obriga o presidente a se ausentar de eventos com grande repercussão, como inaugurações, enquanto seu rival Capriles dedica as últimas semanas a viajar por todo o país.

"No momento em que a oposição se fortaleceu, a saúde presidencial significou um revés, ao devolver o debate público para a figura dele (Chávez)", disse a empresa de pesquisas Nomura em nota a investidores.

(Reportagem adicional de Mario Naranjo)

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