Tensão ameaça novo encontro da Unasul

Dos 11 países-membros do bloco sul-americano, cinco vivem disputas político-militares

O Estado de S. Paulo,

24 Novembro 2009 | 07h34

O encontro da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) programado para sexta-feira, em Quito, será marcado por contendas político-militares que afetam 5 dos 11 países-membros do bloco. O clima de desconfiança que arruinou a reunião anterior, em Bariloche, há três meses, promete se repetir, agravado por acusações de espionagem, disputas fronteiriças e um ensaio de corrida armamentista que envolve Equador, Colômbia, Venezuela, Chile e Peru.

No capítulo mais recente das disputas regionais, o chanceler equatoriano, Fander Falconí, acusou ontem os serviços de inteligência da Colômbia de ter espionado Equador, Venezuela e Cuba. "Espionagem de um Estado contra outro é terrível e sumamente grave", disse Falconí. Para ele, caberá à Unasul "baixar a tensão" do caso.

Espionagem

Na semana passada, o presidente peruano, Alan García, também havia acusado o Chile de espionagem. Ele se referiu ao país vizinho como "uma republiqueta" e criticou os gastos militares chilenos. Os dois países disputam na Corte Internacional de Haia uma área de 35 mil quilômetros quadrados no Pacífico. O Chile descartou a hipótese de levar o caso à Unasul.

"Este é um assunto estritamente bilateral e não nos parece que deva ser tratado desta forma (coletiva)", disse a porta-voz do governo chileno, Carolina Tohá. A contenda mais grave é a que envolve Colômbia e Venezuela em um bate-boca que se arrasta desde julho, quando Bogotá tornou público um acordo que permite o uso de até sete de suas bases militares pelos EUA. O presidente venezuelano, Hugo Chávez, vê no acordo uma ameaça de invasão.

"A mediação entre Venezuela e Colômbia deve ser feita no seio da Unasul", disse, no domingo, o vice-chanceler venezuelano, Francisco Arias Cárdenas. A declaração foi feita um dia depois de a Venezuela ter recebido 300 veículos militares blindados e um lote de tanques russos modelo T-72. "Somos o alvo número 1 no mapa imperial deste continente", disse Chávez. Ele pediu aos venezuelanos que se unam às milícias organizadas para enfrentar uma invasão estrangeira. Desde 2005, Caracas gastou mais de US$ 4 milhões em armas russas, entre elas 24 caças, helicópteros e 100 mil fuzis.

A Colômbia - isolada pela pressão da maioria dos outros países do bloco - tenta fazer com que a Unasul também questione os gastos militares de Chávez e as declarações belicistas do venezuelano. "Chama a atenção que o chefe de Estado de um país da região, membro da Unasul, tenha utilizado uma linguagem belicista e falado de guerra sem que a Unasul faça nenhum comentário a respeito", disse o chanceler colombiano, Jaime Bermúdez.

Divergências

Colômbia - Assinou polêmico acordo militar com os Estados Unidos e recebe críticas dos governos de esquerda da América Latina

Venezuela - Alega ser vítima de um plano de ataque militar

colombiano com o apoio dos EUA

Peru - Acusa Chile de espionagem e de armamentismo

Chile - Diz que problemas com o Peru devem ser resolvidos

de forma bilateral, não por meio da Unasul

Equador - Acusa serviço de inteligência colombiano de tê-lo espionado, assim como à Venezuela e Cuba

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