Venezuela acusa Colômbia de mentir e desestabilizar a região

O chanceler colombiano, Jaime Bermúdez, disse que o 'espaço de interlocução' com a Venezuela 'está aberto'

REUTERS e EFE

10 Novembro 2009 | 10h44

A Venezuela acusou na segunda-feira a Colômbia de mentir e desestabilizar a região com a sua aliança com os Estados Unidos, depois de o governo de Alvaro Uribe anunciar que recorrerá a organismos internacionais por causa das ameaças de guerra do presidente Hugo Chávez.

 

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A tensão entre ambos os governos aumentou desde julho, quando o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, congelou as relações diplomáticas com Bogotá, em protesto contra o aumento da presença militar norte-americana no país vizinho. A medida levou a uma grande redução das exportações colombianas para a Venezuela.

"O governo Uribe mente, pois ficou demonstrado que o acordo que oficializa a ocupação militar norte-americana da Colômbia tem por objetivo projetar a dominação estratégica do império sobre a América do Sul", disse nota da chancelaria venezuelana, que qualifica o governo de Uribe como imoral, hipócrita e entreguista.

No domingo, Chávez pediu aos militares que se preparem para uma guerra, dias depois de mobilizar 15 mil soldados para os mais de 2.000 quilômetros de fronteira comum, uma região com forte presença de guerrilheiros, traficantes e contrabandistas de combustível.

"Companheiros militares, não percamos um dia no cumprimento da nossa principal missão: preparar-nos para a guerra e ajudar o povo a se preparar para a guerra, porque é uma responsabilidade de todos", disse Chávez no seu programa dominical de rádio e TV.

A Colômbia reagiu com uma nota em que anuncia que levará o caso ao Conselho de Segurança da ONU e à Organização dos Estados Americanos, e reiterando que o acordo militar com os EUA visa a combater guerrilheiros e traficantes.

A Venezuela diz estar disposta a debater e apresentar a organismos internacionais a "sua verdade" sobre o uso de bases colombianas.

 

O chanceler colombiano, Jaime Bermúdez, disse nesta terça-feira, 10, que o "espaço de interlocução" com a Venezuela "está aberto", apesar das ameaças proferidas pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez. "Não temos descartamos a opção de manter um diálogo com a Venezuela", disse Bermúdez em Nova Délhi, onde está em visita oficial junto com o colega da pasta de Comércio, Luis Guillermo prata.

 

Em entrevista, Bermúdez afirmou que o presidente colombiano, Álvaro Uribe, telefonou "várias vezes" para Chávez, e que ele fez o mesmo com seu colega Nicolás Maduro, ministro das Relações Exteriores da Venezuela. "Não tivemos resposta, mas nós achamos que quando há dificuldades, é preciso aprofundar as relações, não rompê-las", acrescentou.

 

A Presidência colombiana respondeu Chávez no mesmo dia, dizendo que levaria suas "ameaças de guerra" à ONU e à Organização dos Estados Americanos (OEA). Além de ressaltar que "o espaço para o diálogo está aberto" à Venezuela, Bermúdez afirmou que é "importante recorrer aos foros multilaterais em temas tão sensíveis".

 

"Em questões de alta sensibilidade, você tem que agir com três critérios: firmeza, para defender os interesses nacionais; cautela, para não cair em provocações desnecessárias; e muita audácia, porque é preciso sempre buscar alternativas (...)".

 

O chanceler também defendeu as relações de seu país com os EUA, seu principal parceiro comercial e "um aliado importante na luta contra o narcotráfico e o terrorismo".

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