Carlso Garcia Rawlins/Reuters
Carlso Garcia Rawlins/Reuters

Venezuela declara embaixador do Brasil 'persona non grata'

Responsável pela determinação foi a Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela por meio de sua presidente, a deputada Delcy Rodríguez

Lu Aiko Otta, Estadão

23 Dezembro 2017 | 16h48

BRASÍLIA - A Venezuela ordenou neste sábado (23)  a expulsão do embaixador do Brasil em Caracas, Ruy Pereira, ao declarar o diplomata “persona non grata”. De acordo com a ex-chanceler Delcy Rodríguez, que atualmente preside a Assembleia Nacional Constituinte venezuelana, o governo de seu país iniciará o processo contra o brasileiro e o encarregado de negócios do Canadá, Craib Kowalik. Com isso, ambos terão de deixar a Venezuela.

Pereira, porém, já se encontra no Brasil para as festas de fim de ano. Assim, quando a declaração for formalizada, o diplomata brasileiro não poderá retornar a Caracas. 

Em reação, o Brasil pretende adotar “medidas de reciprocidade correspondentes”, segundo informa nota do Itamaraty. Como a Venezuela está sem embaixador em Brasília, a tendência é que o diplomata venezuelano mais graduado seja convidado a se retirar do País. 

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Até o fim da tarde de sábado, porém, nenhuma comunicação oficial de Caracas havia chegado ao governo brasileiro. “Decidimos declarar persona non grata o embaixador do Brasil até que se reconstitua o fio constitucional nesse país irmão”, disse Rodríguez, acrescentando que a chancelaria de seu país iniciaria as formalidades necessárias.

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Pereira havia retomado as funções em Caracas em maio, por decisão do ministro das Relações Exteriores brasileiro, Aloysio Nunes, que considera importante ter na Venezuela um diplomata graduado e com condições de dialogar tanto com o governo quanto com a oposição. Foi um gesto de reaproximação, pois o Brasil estava sem embaixador na Venezuela desde agosto de 2016 - em razão de uma crise diplomática causada por críticas do governo Maduro sobre o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Na quinta-feira, durante reunião de cúpula do Mercosul, o presidente Michel Temer comentou a suspensão da Venezuela do bloco com base na cláusula democrática, em agosto. Foi o primeiro ato do Brasil na presidência temporária do bloco. “Era uma medida que se impunha”, afirmou o presidente. 

“Queremos que nação venezuelana, de volta à democracia, possa também voltar ao Mercosul, onde será recebida naturalmente de braços abertos”, disse Temer. No mesmo dia, o Itamaraty divulgou nota depois que a Venezuela decidiu dissolver os governos municipais da Grande Caracas e de Alto Apure. No comunicado, o governo brasileiro qualificou o ato como um exemplo do “continuado assédio” contra a oposição venezuelana.

 

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