Venezuela fecha parte da fronteira com Colômbia após mortes

Governo disse que dois militares da Guarda Nacional foram mortos perto do estado de Táchira

Claudia Jardim, BBC

03 Novembro 2009 | 00h54

Autoridades venezuelanas fecharam a fronteira com a Colômbia no estado de Táchira, nesta segunda-feira, 3, depois do assassinato de dois militares da Guarda Nacional da Venezuela em um município próximo à linha fronteiriça. As mortes teriam ocorrido em um ponto de controle perto do município de Ureña, a poucos metros da linha que marca a fronteira entre a Venezuela e Colômbia. Depois do incidente, a presença militar venezuelana foi reforçada, segundo meios locais. As autoridades venezuelanas ainda não apresentaram uma versão oficial sobre o incidente.

A descoberta dos dois corpos contribui para o momento de tensão na relação entre os dois países. Na última semana, dois agentes do serviço de inteligência colombiano foram presos em território venezuelano acusados de espionagem - algo que a Colômbia nega.

No sábado, dez pessoas que haviam sido sequestradas foram encontradas mortas também no estado de Táchira. No domingo, o vice-presidente da Venezuela, Ramón Carrizalez, informou que oito dos corpos encontrados eram "paramilitares colombianos em treinamento" na Venezuela.

Os assassinatos fortaleceram ainda as especulações sobre a permeabilidade da fronteira e a presença de grupos armados no país - paramilitares ou guerrilheiros. Segundo, Carrizalez, os homens sequestrados e posteriormente assassinados eram parte de um grupo "infiltrado paramilitar" na Venezuela, que planejava desestabilizar o governo socialista de Hugo Chávez. "A ameaça está se materializando, mas também estamos nos preparando para defender nosso território, para garantir nossa soberania", afirmou Carrizalez.

Bases militares

A crise na fronteira colombo-venezuelana se soma à concretização do acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos que permitirá às Forças Armadas norte-americanas utilizarem sete bases militares colombianas.

Os militares terão absoluta imunidade perante à Justiça colombiana, fator que provocou rejeição inclusive no Conselho de Estado colombiano, principal organismo jurídico do país, que qualificou de "desigual" o acordo firmado entre Bogotá e Washington.

O ministro de Relações Exteriores da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou, nesta segunda-feira, em uma coletiva de imprensa, que o acordo militar é "uma vergonha para a história do nosso continente". Maduro disse que o governo e o partido governista propuseram medidas "para continuar a denunciar estes ares bélicos que o Pentágono alimenta, não sejam impostos à Colômbia a partir do governo de Bogotá e continuem ameaçando a estabilidade da região".

Tanto o governo de Bogotá como de Washington afirmam que o acordo se limitará ao território colombiano. O governo brasileiro, que inicialmente manifestou "preocupação" com a assinatura do acordo, ainda aguarda que o governo de Álvaro Uribe revele o conteúdo do convênio militar.

 

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