Marcelo Camargo/Agência Brasil
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Venezuelanos que estão em Roraima serão distribuídos por SP, PR, AM e MS, diz Jungmann

Ideia do ministro da Defesa é começar distribuição da primeira leva de mil venezuelanos a partir de março; número de homens nos pelotões do Exército na fronteira de Roraima foi duplicado para 200

Tânia Monteiro / Brasília, O Estado de S. Paulo

08 Fevereiro 2018 | 21h40
Atualizado 09 Fevereiro 2018 | 14h30

BRASÍLIA - A partir de meados de março o governo federal pretende começar a distribuir a primeira leva de mil venezuelanos que chegaram a Roraima em pelo menos quatro estados: São Paulo, Paraná, Amazonas e Mato Grosso do Sul. A informação foi dada ao Estado pelo ministro da Defesa, Raul Jungmann, que esteve nesta quinta-feira em Boa Vista, ao lado dos ministros da Justiça, Torquato Jardim, e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Sérgio Etchegoyen, para avaliar a “dramática” situação do Estado.

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As autoridades brasileiras reconheceram que os venezuelanos precisam de apoio já que muitos estão acampados nas ruas da capital roraimense, causando transtorno para os demais moradores. Um censo também será realizado para que se tenha ideia do numero exato de venezuelanos que entraram e vivem no país já que os números são conflitantes - as estimativas giram entre 30 mil e 40 mil, mas, por dia, passam pela fronteira do Brasil cerca de 700 venezuelanos em busca de melhores condições de vida, depois que o país governador por Nicolás Maduro se aprofundou em grave crise econômica, política e social.  

Segundo o ministro Jungmann, um plano de ação de governo será colocado em prática já nos próximos meses. Este plano prevê o fortalecimento do ordenamento da fronteira, com ampliação do número de militares nos pelotões de Roraima e reforço de pessoal em todas as agências governamentais.

Paralelamente, um censo será realizado no prazo de até 90 dias para identificar quem entra e quer ficar no Brasil, quem só está de passagem para outro Estado, ou quem vai e volta para a Venezuela - a ideia é entender o que estas pessoas vieram fazer e o que pretendem no Brasil. Os primeiros dados, de acordo com o ministro, apontam que 70% desses venezuelanos tem nível médio de escolaridade e 30% têm nível superior e deixaram seu país em busca de oportunidade por falta de comida, emprego, medicamentos.

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“É um drama humanitário. Estas pessoas estão sendo expulsas de sua casa, de seu país pela ausência total de condições de ali permanecerem”, reconheceu o ministro, que esteve na Praça Simon Bolívar, em Boa Vista, conversando com muitos dos imigrantes. “Choca muito ver tudo isso”, disse Jungmann, ao falar da preocupação com a situação de todos. O ministro fez questão de ressaltar que Roraima vive um problema grave com esta chegada em massa, que tem sobrecarregado a região e causado transtornos, por exemplo, com a saturação da rede de saúde local, e até criado animosidade com a população.

"O Brasil inteiro tem de ajudar. Eles não podem ficar em uma só cidade, em um só Estado”, declarou o ministro, ao informar que o governo vai fazer uma interiorização dos venezuelanos, com redistribuição pelo restante do país. “Temos de socializar esse problema com o resto do País”, avisou, depois de dizer que, inicialmente, eles serão transferidos para São Paulo, Paraná, Amazonas e Mato Grosso do Sul.

O ministro lembrou a tradição brasileira de acolher refugiados e disse que procedimento semelhante foi adotado em relação aos haitianos que entraram, em massa, pelo Acre. Jungmann reiterou que a redistribuição é fundamental por conta do peso e sobrecarga que essa chagada descontrolada representa para Roraima.

Ao falar do reforço da estrutura federal à Roraima, o ministro declarou que no caso do Exército, por exemplo, foi duplicado de 100 para 200 o número de homens nos pelotões de fronteira do Estado. Citou ainda que a Polícia Rodoviária Federal vai abrir um posto em Pacaraima, na fronteira com a Venezuela, além de ampliar o número de agentes. Nesta região também serão abertas representações da Anvisa, da ANTT, além de outros órgãos. As autoridades de Roraima tem ido com frequência a Brasília pedir apoio do governo federal para ajudar a solucionar o problema e redistribuir os venezuelanos pelo Brasil.

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