Zelaya diz que sem restituição não há acordo em Honduras

Em recesso, Congresso não tem data para votar retorno de presidente deposto por golpe de Estado

BBC Brasil, BBC

02 Novembro 2009 | 15h27

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, afirmou à BBC nesta segunda-feira, 2, que o acordo firmado entre ele e o governo interino do país está condicionado ao Congresso aprovar sua volta ao poder.

 

Veja também:

lista Entenda a crise e os principais pontos do acordo em Honduras

lista Caderno Aliás: Manual bananeiro do desconforto

especial Especial: O impasse em Honduras   

"Se o Congresso vota contra minha restituição, não há acordo. Isso significaria que fracassaram as negociações", disse ele. "Moralmente o Congresso tem a obrigação de retornar à ordem democrática que existia antes de 28 de junho", disse, mencionando a data em que foi deposto.

"Assim como foi possível dar um golpe de Estado, é possível reverte-lo. Depende da vontade política", afirmou, quando questionado por que o mesmo Congresso que votou por sua deposição aprovaria agora sua volta.

Verificação

Atualmente o Congresso está em recesso por causa da campanha eleitoral e não anunciou quando se reunirá para discutir o tema.  Segundo o acordo fechado na sexta-feira, deve ser formado até a próxima quinta-feira um governo de unidade nacional.

O documento não especifica quem deve presidir este novo governo interino que administraria o país até janeiro, quando assume o presidente que será eleito nas eleições de 29 de novembro.

Se instalou em Honduras nesta segunda a Comissão de Verificação do Acordo, coordenada pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e integrada pelo ex-presidente chileno Ricardo Lagos e pela secretária de Trabalho americana, Hilda Solís. O representante do governo interino será Arturo Corrales, e o de Zelaya, o embaixador hondurenho na ONU, Jorge Arturo Reina.

Acordo 'secreto'

Circulam em Honduras rumores de um "pacto secreto" costurado pelo negociador americano, Thomas Shannon, com parlamentares do governo deposto e do governo interino. O deputado Marvin Ponce, do Partido da Unificação Democrática (UD), que se alinha com o presidente deposto, Manuel Zelaya, disse à BBC Mundo que existe um "acordo tácito" para reconduzi-lo ao cargo.

A decisão cabe ao Congresso, e por isso Ponce reconhece que a volta do presidente deposto à liderança do país não é garantida. Mas seria "altamente provável", segundo ele.

 

Na correlação de forças entre os 128 parlamentares, pesarão mais os 62 votos do Partido Liberal (o mesmo de Zelaya e de Micheletti) e os 55 do Partido Nacional. Estima-se que 17 liberais votarão por Zelaya, além dos cinco do UD, de Ponce. Mas o que definirá a balança será o voto do Partido Nacional. Por isso, todos os olhos estão postos sobre o candidato presidencial desse partido, Porfírio Lobo, que até agora encabeça a corrida eleitoral.

 

Decisão

 

A comissão de negociação de Micheletti afirmou que seja qual for a decisão do Congresso, ela deverá ser aceita incondicionalmente por Zelaya. Todos aceitamos que deve ser cumprida seja qual for a decisão", disse Arturo Corrales, membro da delegação do governo de facto.

 

"O consenso de ambas as comissões foi que a decisão do Congresso será respeitada por ambas as partes e pelos seus líderes e, logo, pela comunidade internacional", acrescentou Vilma Morales, porta-voz da delegação de Micheletti.

 

BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Mais conteúdo sobre:
Honduras Brasil Zelaya Micheletti

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.