Lee Jin-man/AP
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Vice-presidente dos EUA alerta que 'paciência estratégica' com Pyongyang acabou

Mike Pence afirmou que Washington derrotará 'qualquer tipo de ataque' e enfrentará 'qualquer provocação nuclear ou de mísseis com uma resposta surpreendente'

O Estado de S.Paulo

17 Abril 2017 | 04h24
Atualizado 17 Abril 2017 | 20h52

SEUL - O vice-presidente dos EUA, Mike Pence, afirmou nesta segunda-feira, 17, em Seul que a Coreia do Norte" faria bem não testando a determinação" do líder americano, Donald Trump, e lembrou que Washington ordenou recentemente ataques na Síria e no Afeganistão.

"Derrotaremos qualquer tipo de ataque, e enfrentaremos qualquer provocação nuclear ou de mísseis com uma resposta surpreendente", disse Pence após se reunir em Seul com o presidente interino sul-coreano, Hwang Kyo-anh, no segundo dia de sua visita ao país asiático.

A viagem do vice-presidente à Coreia do Sul acontece em um momento de máxima tensão com a Coreia do Norte, após o novo teste do lançamento de um míssil realizado na véspera pelo regime de Kim Jong-un.

Em visita à zona desmilitarizada (DMZ) que separa as duas Coreias, Pence destacou que a "era da paciência estratégica" de Washington com Pyongyang "acabou" com a chegada de Trump à Casa Branca, e depois que, no último ano, o regime norte-coreano realizou "dois testes nucleares ilegais" e repetidos lançamentos de mísseis.

Veja abaixo: EUA criticam teste fracassado de míssil norte-coreano

"Queremos chegar (a uma solução para a atual crise) por meios pacíficos. Ainda assim, todas as opções estão sobre a mesa", advertiu o vice-presidente americano em referência à via militar. "Todas as futuras decisões sobre as políticas em relação ao Norte serão tomadas com uma estreita cooperação e com base em nossa aliança", disse o presidente interino sul-coreano.

No entanto, uma negociação entre os dois parecia pouco provável. Em entrevista à rede britânica BBC, o vice-ministro norte-coreano das Relações Exteriores, Han Song-ryol, afirmou que seu país continuará com os testes regulares de mísseis. “Conduziremos testes de mísseis semanalmente, mensalmente ou até mesmo anualmente”, afirmou Han à BBC. Segundo Han, qualquer ação militar dos EUA contra a Coreia do Norte desencadeará uma guerra. 

O tom belicoso também reverberou na sede da ONU em Nova York. Em uma entrevista coletiva, o vice-embaixador norte-coreano na organização, Kim In-ryong afirmou que os EUA estão transformando a península coreana “no maior alvo do mundo e criando uma situação perigosa na qual uma guerra termonuclear poderia eclodir a qualquer momento”. 

Segundo ele, a Coreia do Norte está pronta para reagir a qualquer ação militar dos EUA. O diplomata afirmou que a decisão de Trump de enviar o porta-aviões Carl Vinson para águas da região “prova que os movimentos imprudentes dos EUA para invadir a Coreia do Norte atingiram uma fase séria”. 

Em Pyongyang, o membro de alto escalão do Ministério das Relações Exteriores Kim Chang-min afirmou que o regime “não ficará quieto como a Síria”. Ele também culpou os EUA pelo período de tensão e disse que a Coreia do Norte, assim como outros países, tem o direito lançar mísseis e realizar testes nucleares. 

Rússia. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou nesta segunda-feira que acredita que os EUA não irão agir de maneira unilateral contra a Coreia do Norte, como fez recentemente contra a Síria ao atacar com mísseis uma base aérea do regime de Bashar Assad.

"Não aceitamos as aventureiras ações nucleares e com mísseis de Pyongyang que violam numerosas resoluções do Conselho de Segurança da ONU", disse em coletiva de imprensa o chefe da diplomacia russa.

Ao mesmo tempo, destacou que "isso de nenhum modo significa que se possa transgredir da mesma maneira o direito internacional e usar a força por violações à Carta da ONU ". "Por isso acredito que não haverá ações unilaterais (dos EUA) como as que vimos recentemente na Síria", disse. /EFE, Ansa, Reuters e New York Times 

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