Win McNamee/Getty Images/AFP
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'Voltem às suas casas, vocês não são bem-vindos', diz governador a ultranacionalistas

Terry McAuliffe havia decretado estado de emergência antes de passeata em Charlottesville; em entrevista coletiva, governador criticou manifestantes

O Estado de S. Paulo

13 Agosto 2017 | 03h48

Em entrevista coletiva horas depois de uma manifestação organizada por supremacistas entrar em confronto com manifestantes anti-racistas em Charlottesville, no estado norte-americano da Virgínia, o governador do estado, Terry McAuliffe, fez duro discurso contra a ação promovida pelos nacionalistas da supremacia branca.

“Eu tenho uma mensagem a todos os supremacistas brancos e os nazistas que vieram hoje a Charlottesville”, afirmou o governador. “Nossa mensagem é simples e clara: voltem às suas casas. Vocês não são bem vindos nessa bela comunidade”. O governador também afirmou que tais manifestantes fingiam que eram patriotas, e que os pais fundadores do país como George Washington e Thomas Jefferson merecem esse título.

O governador McAuliffe havia decretado estado de emergência na cidade, depois que uma passeata na noite de sexta-feira pegou Charlottesville de surpresa, com manifestantes fazendo citações diretas ao movimento racista da Ku Klux Klan e ao nazismo. Já durante o sábado, os milhares de ultranacionalistas voltaram às ruas da cidade de 45 mil habitantes para o evento “unir a direita”, em prol da raça branca – o estopim para promover o encontro teria sido o plano de se retirar a estátua de Robert E. Lee, líder da Guerra Civil americana, que existe na cidade.

Após uma série de confrontos nas ruas da cidade neste sábado, um carro avançou contra manifestantes anti-racismo no centro da cidade, matando uma pessoa. Já no fim da tarde, um helicóptero da polícia caiu fora do centro da cidade, matando outras duas pessoas. No total, 35 pessoas ficaram feridas e precisaram de atendimento.

Reações. Apesar da reação do presidente norte-americano Donald Trump ter sido criticada por não ser duro o suficiente, tanto políticos democratas quanto republicanos foram enfáticos em condenar a atitude dos manifestantes supremacistas.

O presidente da Câmara dos deputados, o republicano Paul Ryan, chamou o supremacismo de “praga”. Já Nancy Pelosi, a líder democrata entre os deputados, disse em sua conta no Twitter: “Repita comigo, Donald Trump: a supremacia branca é uma afronta aos valores americanos”. O senador repulicano John McCain também usou da rede social para afirmar que os supremacistas brancos “não são patriotas. São traidores”. O procurador-geral dos Estados Unidos, Jeff Sessions, disse que “tais ações traem valores fundamentais, e não podem ser tolerados”.

O ex-presidente norte-americano Barack Obama também opinou sobre o tema. Pelo Twitter, o democrata citou três frases do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela (1918-2013): “Ninguém nasce odiando uma outra pessoa por sua cor de pele ou pelos antecedentes de sua religião. Pessoas precisam aprender a odiar, e se elas podem aprender a odiar, elas também podem ser ensinadas a amar. Porque o amor chega mais naturalmente ao coração humano do que o oposto". / AFP

 

 

 

 

 

 

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