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10 mil crianças imigrantes desapareceram na Europa em 2 anos

Temor de polícias é de que muitos podem estar sendo explorado sexualmente ou recrutado em grupos criminosos

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Jamil Chade,
O Estado de S.Paulo

31 Janeiro 2016 | 12h31

GENEBRA – Mais de 10 mil crianças imigrantes poderiam estar desaparecidas na Europa nos últimos dois anos. O alerta foi lançado neste domingo pela Europol, a polícia da UE e que destaca que uma parte desses menores pode estar sendo explorado. 

Segundo a entidade, “milhares de menores” desapareceram depois de terem sido registrados em diferentes estados da UE. Alguns estariam sendo explorados sexualmente e onde podem ter sido recrutados por gangues criminosas. 

Apenas em 2015, a entidade Save the Children estima que 26 mil migrantes menores de idade entraram na Europa. O Estado visitou dois centros na Alemanha destinado apenas a crianças desacompanhadas e constatou que alguns deles sequer sabiam exatamente como identificar onde estavam em um mapa. Outros foram enviados por seus pais que, por até 5 mil euros, pagaram traficantes para levar os menores para fora da guerra na Síria e tentar garantir que, pelo menos a próxima geração da família pudesse sobreviver.

Para a Europol, de fato muitos desses menores podem ter sido passados para famílias. Mas a realidade é que milhares deles simplesmente desapareceram do controle das autoridades. 

Em maio do ano passado, o governo italiano já havia alertado que 5 mil menores haviam desaparecidos dos centros de asilo destinados a crianças nos doze meses anteriores. O mesmo fenômeno foi registrado na Suécia, com o sumiço de mais de mil menores entre janeiro e outubro do ano passado. 

Mas a parcela maior de desaparecimento é registrado ainda na Grécia, o primeiro local de passagem na Europa para muitos dos imigrantes e refugiados. Só em 2015, mais de 1 milhão de estrangeiros desembarcaram nas ilhas do país, número que pode ser superado em 2016.

Para a Europol, grupos criminosos e traficantes estariam colocando as crianças como alvos de suas operações. “A UE precisa colocar como prioridade encontrar essas crianças, para o bem delas e até para a segurança do continente”, alertou 

Leonard Doyle, porta-voz da Organização Internacional de Migrações. 

Uma vez com os traficantes, as crianças recuperadas contam que são alertadas que precisam seguir as ordens dos criminosos, sob o risco de que suas famílias sejam mortas.  Em outros casos, a incerteza sobre o destino dos refugiados em centros de acolhimento que mais parecem uma prisão faz com que muitos deles escapem. Mas o destino é a rua.  

Segundo a ONU, 224 imigrantes e refugiados morreram tentando chegar até a Europa apenas no mês de janeiro. Em apenas 30 dias, o continente registrou o desembarque de 55 mil pessoas. 

 

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