Sergei Karpukhin/REUTERS
Sergei Karpukhin/REUTERS

Acidente de avião na Rússia mata presidente da Polônia

Acidente ocorreu durante intenso nevoeiro; além de Kaczynski, 95 outras pessoas morreram

Efe; Reuters; AP; BBC

10 Abril 2010 | 05h13

O avião do presidente da Polônia, Lech Kaczynski, caiu neste sábado, 10, durante um voo rumo à cidade russa de Smolensk. O Comitê de Investigação da Procuradoria informou que 96 pessoas estavam a bordo do avião, entre elas Kaczynski. Não houve sobreviventes. Informações anteriores davam que 132 pessoas haviam morrido no acidente.

 

O acidente aconteceu no meio de um denso nevoeiro, quando o avião atingiu árvores quando se dirigia ao aeroporto de  Smolensk. O piloto do avião rejeitou sugestões de desviar o voo até Moscou ou Minsk, a capital de Belarus.

 

A Procuradoria Geral da Rússia confirmou que o presidente da Polônia, Lech Kaczynski, estava a bordo do avião que se acidentou neste sábado na cidade russa de Smolensk.

 

Kaczynski se dirigia à localidade russa de Katyn para prestar homenagem aos milhares de oficiais poloneses executados em 1940 pelos serviços secretos soviéticos. 

 

 

Líderes mundiais, incluindo o primeiro-ministro russo Vladimir Putin, a chanceler alemã Angela Merkel e o primeiro-ministro britânico Gordon Brown, já ofereceram suas condolências à Polônia.

 

Kaczynski, que possuia menos poderes que o primeiro-ministro mas tinha um papel significativo na política externa, era uma figura controversa na política polonesa.

 

Ele defendia uma agenda de extrema-direita católica, contra reformas rápidas de livre-mercado e favorecia a retenção de programas de bem-estar social.

 

Kaczynski foi eleito presidente em 2005. Foto: Alik Keplicz/AP Photo

 

Figuras públicas

 

A comitiva do presidente era composta pela nata da oposição conservadora do país e todo o comando das forças armadas. Veja, abaixo, uma breve biografia das vítimas mais proeminentes, cujos nomes foram divulgados pelo escritório da presidência polonesa.

 

Lech Kaczynski, 60, presidente da Polônia, um conservador nacionalista que estava no poder desde 2005. Ele fundou do Partido Lei e Justiça, agora na oposição, e era o irmão gêmeo do líder do partido e ex-primeiro-ministro Jaroslaw Kaczynski.

 

Maria Kaczynska, 66, primeira-dama da Polônia, economista e tradutora de inglês e francês, estava à frente dos trabalhos de caridade do governo. Seu tio foi assassinado em Katyn.

 

General Franciszek Gagor, 58, chefe do Estado Maior do Exército desde fevereiro de 2006. De 2004 a 2006, foi representante da Polônia na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) em Bruxelas.

 

General Andrzej Blasik, 47, chefe das Forças Armadas da Polônia desde 2007. Ele frequentou a escola militar da Universidade Aérea em Montgomery, Alabama (EUA), em 2005.

 

Vice-almirante Andrzej Karweta, 51, comandante-chefe da Marinha desde novembro de 2009. De 2002 a 2005 serviu no Comando Aliado no Atlântico (SACLANT, na sigla em inglês) em Norfolk, Virginia (EUA).

 

General Tadeusz Buk, 49, comandante das forças terrestres desde setembro de 2009. Serviu em 2007 como comandante das tropas polonesas no Iraque.

 

Slawomir Skrzypek, 46, presidente do Banco Nacional da Polônia desde 2007. Colega de longa data do presidente ocupou o cargo de vice-prefeito de Varsóvia durante a gestão de Lech Kaczynski entre 2002-05.

 

Aleksander Szczyglo, 46, chefe do Escritório Nacional de Segurança, foi ministro da Defesa durante o governo do irmão gêmeo de Kaczynski.

 

Jerzy Szmajdzinski, 58, vice-presidente do parlamento, um político de esquerda e candidato da oposicionista Aliança Democrática da Esquerda para a eleição presidencial deste ano. Foi ministro da Defesa na época da guerra no Iraque.

 

Ryszard Kaczorowski, 90, foi o último presidente da Polônia no exílio em Londres, de 1989-90. Em dezembro de 1990 passou a insígnia da presidência para o primeiro presidente eleito democraticamente na história do país, Lech Walesa.

 

Janusz Kurtyka, 49, historiador que desde 2005 comanda o estatal Instituto Nacional Remembrance, que investiga os crimes da era comunista.

 

Anna Walentynowicz, 80, ativista do movimento Solidariedade. Sua demissão em agosto de 1980 do estaleiro Lenin em Gdansk desencadeou a greve dos trabalhadores que conduziu à criação do movimento de liberdade, do qual se tornou um importante membro.

 

Piotr Nurowski, 64, chefe do Comitê Olímpico da Polônia.

 

Krystyna Bochenek, 56, vice-presidente do parlamento, era membro do partido do primeiro-ministro Plataforma Cívica.

 

Avião

 

O avião no qual o presidente voava, um Tupolev 154, foi construído há mais de 20 anos. Segundo informações do governo, já havia sido pedido que os líderes poloneses atualizassem suas aeronaves.

 

É possível que o acidente tenha sido causado por erro do piloto, disse Andrei Yevseyenkov, porta-voz do governo local de Smolensk.

 

O presidente russo Dmitry Medvedev mandou o Ministro Sergei Shoigu para o local do acidente e formou uma comissão especial encabeçada por Putin para investigar o caso.

 

Novas eleições

 

A Polônia realizará eleições presidenciais antecipadas após a confirmação da morte de Kaczynski, disse Pawel Gras, porta-voz do governo polonês. As eleições devem ser realizadas até o final de junho.

 

"De acordo com a constituição, temos que realizar eleições presidenciais antecipadas", disse Gras. "Por hora, o presidente da Câmara baixa do Parlamento, Bronislaw Komorowski, é o novo presidente interino."

 

A morte de Kaczynski, que ao lado de seu irmão era uma força dominante da política polonesa, traz incerteza política. "As consequências políticas serão duradouras, e isso possivelmente vai mudar todo o cenário futuro da política polonesa", disse Jacek Wasilewski, professor da Escola Superior de Psicologia Social, em Varsóvia.

 

Vida política

 

Kaczynski, de 59 anos, foi aliado do líder do partido Solidariedade, Lech Walesa, e junto com seu irmão gêmeo, Jaroslaw Kaczynski, fundou o partido Lei e Justiça, de direita. Ele deixou o partido quando se tornou presidente em 2005, mas continuou a apoiá-lo.

 

Embora o cargo do presidente seja fundamentalmente simbólico, ele pode vetar leis. Lech Kaczynski enfureceu o governo do primeiro-ministro Donald Tusk muitas vezes ao bloquear projetos de leis, como o que reformava o sistema de saúde do país.

 

Texto atualizado às 16h21.

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