Advogados de Strauss-Kahn contestarão investigação na França

Advogados do ex-chefe do Fundo Monetário Internacional Dominique Strauss-Kahn disseram nesta terça-feira que vão contestar um novo inquérito iniciado pelas autoridades sobre alegações de que ele participou ilegalmente de um escândalo de prostituição na França.

REUTERS

27 Março 2012 | 12h58

A equipe francesa de advogados de Strauss-Kahn convocou uma entrevista coletiva em resposta às notícias de que ele tinha sido formalmente colocado sob investigação em um caso de prostituição na cidade de Lille, com acusações que poderiam expor o seu cliente a até 20 anos de prisão.

"Esta história não tem base para se sustentar e os juízes sabem perfeitamente bem", disse um de seus advogados, que falaram sob condição de anonimato antes da coletiva.

Os mais recentes problemas de Strauss-Kahn surgem em uma semana em que o homem que já foi cotado para se tornar o próximo presidente da França está novamente debaixo de fogo em Nova York. As audiências em um caso civil movido por uma mulher que o acusou de tentar estuprá-la em uma suíte do hotel Sofitel em maio passado começam na quarta-feira.

Na França, investigadores estão checando se Strauss-Kahn, de 62 anos, estava ciente de que estava lidando com prostitutas e cafetões quando ele participou de encontros sexuais em Lille, Paris e Washington em 2010 e 2011, que tinham sido organizados por colegas de negócios na região.

Oito pessoas já foram presas no caso, e a empresa de construção Eiffage demitiu um executivo suspeito de usar recursos da empresa para contratar profissionais do sexo.

Strauss-Kahn -ex-ministro das Finanças da França e ex-chefe do FMI- é casado com a popular jornalista Anne Sinclair. Ele foi citado como reconhecendo a sua participação em "noitadas libertinas".

Antes das audiências que o levaram a ser oficialmente colocado sob investigação na noite de segunda-feira, ele disse que foi vítima de um linchamento da mídia em um país onde a imprensa tradicionalmente estabelece uma linha quase indelével entre a vida pública e privada.

MENSAGENS DE TEXTO

Strauss-Kahn foi condenado a pagar fiança de 100.000 euros (133.300 dólares), e foi informado que estava sendo investigado por suspeita de "cumplicidade em uma operação de proxenetismo".

Sob a lei francesa, isso implica "ajudar, auxiliar, ou proteger a prostituição, ter lucro com a prostituição... contratação, treinamento ou levar alguém para a prostituição".

Usar os serviços de prostitutas não é ilegal na França.

Uma fonte próxima à investigação disse à Reuters que mensagens de texto enviadas por Strauss-Kahn aos amigos poderiam ser o ponto crucial do processo judicial.

Um de seus advogados disse que Strauss-Kahn não tinha razão para pensar que as mulheres nas festas eram prostitutas, chegando a argumentar que não era sempre fácil ver a diferença entre uma "senhora elegante" e uma prostituta quando estavam nuas.

INQUÉRITO NOS EUA

Na quarta-feira, os advogados de Strauss-Kahn devem defendê-lo em um tribunal do Bronx, no primeiro dia de um julgamento cível movido por Nafissatou Diallo, a camareira de Nova York que o acusou de ter estuprado ela em maio de 2011.

Essa acusação desencadeou uma tempestade na mídia e rapidamente manchou a reputação do ex-diretor-gerente do FMI. Ele foi forçado a parar seu trabalho no FMI e abandonar os planos de concorrer à presidência francesa.

Mas promotores norte-americanos cancelaram as acusações criminais argumentando que tinham dúvidas sobre a credibilidade de Diallo.

Hoje, Strauss-Kahn está desempregado e vive uma vida a portas fechadas.

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