Graham Stuart/Efe
Graham Stuart/Efe

Boca de urna no Reino Unido indica 'empate', cenário que favorece Brown

Atual premiê pode fazer coligação com Partido Liberal Democrata e continuar no posto, apesar de apertada maioria dos conservadores

06 Maio 2010 | 23h23

Andrei Netto, de O Estado de S. Paulo

 

LONDRES- Pesquisas de boca de urna divulgadas na noite desta quinta-feira, 6, indicaram que o atual primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, terá o direito de tentar se manter no poder negociando um governo de coalizão entre trabalhistas e liberais.

 

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Segundo levantamento contratado pelas três maiores emissoras de TV do país - BBC, Sky e ITV - e divulgado pouco depois da votação, o Partido Trabalhista elegerá 255 deputados, que, se aliados aos 61 do Partido Liberal Democrata, ultrapassariam a bancada do Partido Conservador, que ficaria com 305 deputados eleitos.

 

Se confirmados os números, os conservadores ficariam a apenas 19 cadeiras da maioria absoluta, que daria ao líder conservador David Cameron o direito de pedir a renúncia do atual gabinete e a formação de um governo.

 

Os números da pesquisa de boca de urna confirmam a divisão do Legislativo e, em consequência, a total incerteza sobre quem será o primeiro-ministro do Reino Unido.

 

A sondagem indica que o Partido Conservador teria acrescido 97 deputados à sua bancada atual, enquanto o Partido Trabalhista teria perdido 94 assentos. Já o Partido Liberal, sensação da campanha, teria encolhido, perdendo três postos.

 

Com base nas leis britânicas, se ninguém obtiver maioria, o atual premiê, mesmo tendo somado menos votos, teria a preferência para negociar uma aliança e continuar no poder.

 

Nesse caso, Brown teria de apelar aos liberais para formar um governo de coalizão. Fontes trabalhistas disseram que Brown está disposto a tentar formar um governo.

 

Um dos primeiros a reagir aos números, Peter Mandelson, atual secretário dos Negócios e Empreendimentos, confirmou que o premiê deverá tentar montar um governo "estável" a partir de alianças.

 

No entanto, Cameron tende a ignorar essa hipótese e a exigir a renúncia do gabinete trabalhista, o que lhe permitiria abrir negociações para uma coalizão de centro-direita. "A boca de urna é decididamente uma rejeição ao Partido Trabalhista", afirmou o conservador, por meio de assessores. Cameron alega que sua equipe "pode governar com esse resultado".

 

O líder conservador já teria até mesmo iniciado discussões com partidos regionais de menor expressão, como os independentistas escoceses e os unionistas irlandeses.

 

Na quarta-feira, o jornal The Daily Telegraph revelou que o Partido Conservador já tem um acordo com o Partido Democrático Unionista (DUP) para formar uma aliança.

 

Na quinta à noite, políticos conservadores e trabalhistas defendiam na imprensa a renúncia ou a manutenção de Brown no poder. A definição sobre o impasse poderia sair em questão de horas, após a abertura das urnas, ou prosseguir pelos próximos 12 dias. Nesse caso, a questão muito provavelmente seria esclarecida no discurso da rainha, marcado para o dia 18.

 

A comissão eleitoral iniciou uma investigação sobre o fato de centenas de eleitores terem sido impedidos de votar em algumas circunscrições, apesar de já estarem nas filas após o fim do horário de votação.

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