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Ex-primeira-dama da França acusa presidente Hollande de desdenhar os pobres

BRIAN LOVE - REUTERS

04 Setembro 2014 | 11h 15

Em publicação, Valérie Trierweiler chamou o presidente da França de frio e insensível

Thomas Samson/AFP
A ex-primeira-dama francesa, Valérie Trierweiler

A imagem pública do presidente francês, François Hollande, sofreu mais um golpe nesta quinta-feira com a publicação de um livro de confissões no qual sua ex-companheira Valérie Trierweiler acusa o líder socialista de se referir aos pobres com desdém como "os banguelas".

Hollande terminou seu relacionamento de sete anos com Valérie após ter seu caso com uma atriz revelado em janeiro. A jornalista de 49 anos jurou na época que, rompendo com uma tradição francesa de manter discrição sobre as vidas privadas dos políticos, não iria ficar calada.

O livro de 320 páginas está cheio de referências pouco elogiosas a Hollande, chamado de frio e insensível. Mas a acusação de que ele ridicularizava os pobres foi a que mais repercutiu na mídia, dados os esforços do presidente em se apresentar como consciente das dificuldades dos necessitados.

"Ele se apresentou como um homem que não gostava dos ricos", escreveu Valérie, jornalista da revista Paris Match, sobre a campanha vitoriosa de Hollande em 2012.

"Na verdade, o presidente não gosta dos pobres. Privadamente, esse homem --um esquerdista-- os chama de "os banguelas", e fica tão orgulhoso de como é engraçado."

O gabinete de Hollande disse que não vai comentar sobre o livro. Mas, em uma virada inesperada, foi Ségolène Royal, mãe dos quatro filhos de Hollande, e que ele deixou por causa de Valérie, quem saiu em defesa do presidente.

"Isso é o oposto do que ele defende", disse Royal, ela própria uma ex-candidata à Presidência, agora ministra da Energia, à rádio RMC, afirmando que a acusação é uma "completa besteira".

Ao vencer a eleição presidencial em 2012, Hollande, de 60 anos, pintou a si mesmo como um homem comum, cujo carro pararia no sinal vermelho como o de qualquer cidadão comum, e disse que iria repelir a ostentação de seu predecessor, o conservador Nicolas Sarkozy.

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