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França prepara novo gabinete após demissões de ministros

INGRID MELANDER - REUTERS

26 Agosto 2014 | 09h 10

O primeiro-ministro da França, Manuel Valls, tentará formar um novo governo pró-reforma nesta terça-feira, um dia após a demissão inesperada de ministros rebeldes que haviam se oposto ao rigor orçamentário. 

Valls fará uma busca ampla em sua base para montar o segundo gabinete francês em cinco meses, antes de duras negociações tanto nacionalmente quanto com membros da União Europeia sobre o orçamento de 2015 da França, e ele agora deve tentar buscar políticos de outros partidos.

Um anúncio é esperado ainda nesta terça-feira. 

Valls entregou as cartas de demissões na segunda-feira, após o presidente François Hollande ter decidido que o ministro da Economia, Arnaud Montebourg, havia ido longe demais ao atacar suas políticas econômicas e a “obsessão" alemã pela austeridade. 

Dois dos principais jornais da França, o conservador Le Figaro e o esquerdista Libéracion, resumiram o humor nesta terça-feira com a exata mesma manchete: “Crise do regime”.

Luc Chatel, líder do principal partido da oposição, o UMP, pediu por um voto de confiança sobre o novo governo, mas não chegou exigir que Hollande dissolvesse o Parlamento. 

Aurelie Filippetti, entre os pelo menos três ministros, incluindo Montebourg, que deixarão o governo, rejeitou especulação de que o grupo buscaria atrair deputados de esquerda que apóiam o governo e, assim, minar a frágil maioria de Hollande no Congresso. 

“Não é nosso objetivo provocar uma crise no governo. Eu vou apoiar o novo governo”, disse a ex-ministra da Cultura à emissora BFM-TV, dizendo querer concentrar seus esforços na combalida região do nordeste da França, por onde ela é deputada. 

Hollande usou o aniversário da libertação de Paris em 1944 frente à ocupação nazista, na segunda-feira, para traçar um paralelo com a França dos dias atuais, “um país em ruínas que encontrou em si mesmo a força para se levantar”.

“Não conseguiremos nada sem esforços, sem abnegação, sem coragem... mesmo nos tempos mais difíceis, (a política) triunfará”, disse Hollande, o presidente menos popular da França desde que as pesquisas começaram.

Não há crescimento na segunda maior economia da zona do euro, e o governo tem admitido que não cumprirá as metas fiscais concordadas com a União Europeia, inclusive com a Alemanha. 

O mais recente sinal de fraqueza veio com o decadente setor imobiliário francês, na segunda-feira, quando o índice de casas novas em julho registrou uma queda de 10,8 por cento na comparação anual, e chegou ao menor nível desde novembro de 1998. 

(Reportagem adicional de Mark John)