Governo e sindicatos divergem sobre adesão a greve na Espanha

Os sindicatos espanhóis disseram que a greve geral desta quinta-feira contra reformas e cortes orçamentários adotados pelo governo praticamente paralisou a indústria pesada, enquanto as autoridades afirmaram que o dia transcorre normalmente.

TRACY RUCINSKI, REUTERS

29 Março 2012 | 09h02

Os espanhóis vinham se mostrando tolerantes com os esforços do primeiro-ministro, Mariano Rajoy, para cumprir as rígidas metas de déficit público da União Europeia, mas ele deve apresentar na sexta-feira um austero orçamento para 2012, e a greve mostra que sua paciência pode estar se esgotando.

As duas principais centrais sindicais -Comissões Operárias e UGT- disseram que o movimento "praticamente paralisou" fábricas durante o turno da noite, e que 85 por cento dos trabalhadores do setor alimentício também aderiram.

Por outro lado, a porta-voz do Ministério do Interior, Cristina Diaz, disse que o movimento matutino de trabalhadores é normal. "A calma e o comparecimento têm sido o denominador comum do dia desde as 6h da manhã", afirmou ela a jornalistas.

Segundo a porta-voz, a polícia deteve 58 pessoas desde o início da paralisação, à meia-noite. Eram principalmente piqueteiros que atuavam junto a transportes públicos, fábricas e mercados atacadistas.

Conforme havia ficado acertado, os transportes mantiveram um nível mínimo de serviços -25 por cento dos ônibus, 33 por cento dos metrôs e trens locais, 10 por cento dos voos domésticos e 20 por cento dos voos europeus.

"Vou ajudar com o serviço mínimo e depois vou aderir à greve", disse o maquinista de trem Miguel Pastor, de 40 anos, na estação Atocha, a principal de Madri.

A Espanha está à beira da sua segunda recessão em três anos, e alguns observadores esperam que pelo menos mais 1 milhão de pessoas entrem para as fileiras dos desempregados.

O país já tem o maior índice de desemprego da União Europeia, 23 por cento, e entre os menores de 25 anos a taxa chega a quase 50 por cento.

As pesquisas indicavam que apenas 30 por cento dos trabalhadores pretendiam aderir à greve, mas uma surpreendente derrota eleitoral do Partido Popular (PP, governista) em duas eleições regionais no domingo pode motivar uma maior participação.

A greve desta quinta-feira foi convocada como protesto contra reformas trabalhistas que barateiam a demissão de pessoas e desmontam o sistema nacional de negociação coletiva.

O poder dos sindicatos espanhóis, no entanto, está gradualmente se esvaindo. Atualmente, menos de um quinto dos trabalhadores espanhóis está filiado às Comissões Operárias ou à UGT.

(Reportagem adicional de Feliciano Tisera, Nigel Davies e Martin Roberts)

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