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Jornalista francês tem casa revistada após artigo sobre Al Qaeda

REUTERS

07 Dezembro 2007 | 14h 42

As autoridades francesas revistaram a casa de um jornalista e abriram um inquérito porque ele publicou um documento sobre a Al Qaeda que era considerado secreto, disse uma fonte judicial na sexta-feira. Guillaume Dasquie passou a ser oficialmente investigado -- medida que precede o indiciamento -- depois de ter passado duas noites na prisão, disse a fonte. Promotores de Paris disseram que uma segunda pessoa, que foi detida ao mesmo tempo que Dasquie, também está sendo investigada, mas sua identidade não foi revelada. O inquérito está ligado a uma reportagem publicada em abril no Le Monde, com o título "11/9/2001 -- A França sabia muito sobre ele", em que Dasquie citou relatórios do serviço de inteligência estrangeira datados de 2000 e 2001. Dasquie, um jornalista que trabalha como independente, é acusado de posse de documentos secretos da Defesa e de divulgar arquivos e informações confidenciais, afirmou a fonte. "Estou profundamente transtornado com o que passei", disse Dasquie, que foi solto sob fiança, segundo o Le Monde. "O objetivo da minha prisão na verdade era saber minhas fontes." A entidade Repórteres sem Fronteiras (RSF) condenou a busca na casa de Dasquie. "É um fato inédito e revoltante que a polícia de contra-espionagem tenha revistado a casa de um jornalista ao amanhecer, vasculhando-a por cinco horas e depois o prendendo", disse a RSF. "A culpa por um vazamento de dentro dos serviços de inteligência ou do gabinete de um juiz investigativo não pode ser atribuída ao jornalista que publica a informação, que nesse caso claramente merece ser tornada pública. Dasquie só fez seu trabalho e não merece ser tratado assim", disse a RSF numa nota. A reportagem de Dasquie referia-se a documentos confidenciais que mostravam que agentes estrangeiros tinham se infiltrado na rede de Osama bin Laden e estavam acompanhando seus movimentos. Um documento, elaborado em janeiro de 2001, tinha como título "Plano de radicais islâmicos para sequestrar um avião", e dizia que a operação tinha sido discutida em Cabul no início de 2000, pela Al Qaeda, pelo Taliban e por militantes chechenos. Os ataques, no dia 11 de setembro de 2001, mataram quase 3.000 pessoas. A reportagem afirmava que o relatório francês de janeiro de 2001 tinha sido entregue para um agente da CIA em Paris, mas não mencionou se ele chegou a entrar na comissão oficial que investigou os ataques, e que divulgou suas conclusões em julho de 2004. (Reportagem de Thierry Leveque