Líder militante curdo diz que conflito armado com a Turquia é 'insustentável

O líder rebelde curdo Abdullah Ocalan, que está atualmente na prisão, disse neste sábado que a insurgência de seu grupo militante contra o Estado turco, que já dura três décadas, havia se tornado "insustentável", mas se conteve em declarar um fim imediato ao seu conflito armado. 

DAREN BUTLER, REUTERS

21 Março 2015 | 13h18

Em uma mensagem revelada por políticos curdos a dezenas de milhares reunidos na cidade de Diyarbakir, no sudeste do país, o líder do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) pediu que seu grupo de militantes promovesse um congresso sobre a possibilidade de abandonar as armas. 

"Este conflito de nosso movimento de 40 anos, que está cheio de dor, não foi em vão, mas ao mesmo tempo se tornou insustentável", disse Ocalan na mensagem, lida em voz alta em um evento para marcar o as celebrações do ano novo "Newroz" curdo. 

O presidente Tayyip Erdogan, que era então primeiro-ministro, iniciou negociações com Ocalan no final de 2012 para terminar a insurgência que já matou mais de 40 mil pessoas, arrasando a economia da região e manchando a imagem da Turquia no exterior. O progresso nas negociações têm vacilado desde então, mas a fé dos curdos em Ocalan continua inabalada. 

"A história e nosso povo nos pedem uma solução democrática e paz, alinhados com o espírito do tempo atual", disse, pedindo que o congresso determine a "estratégia política e social do PKK em harmonia com o espírito deste novo período". 

Erdogan, que desencadeou a raiva de alguns na semana passada ao sugerir que não havia "um problema curdo" na Turquia, disse em um discurso a centenas de quilômetros na cidade de Denizli, no sudoeste do país, que esperava que o sábado marcasse um ponto decisivo na questão. 

"Que seja um divisor de águas que realmente combine amor ... que não seja um Newroz como os do passado, onde todo lugar era queimado e destruído por coquetéis molotov, pedras e fogos de artifício", disse. 

Jovens em uniformes verdes da guerrilha e mulheres em vestidos coloridos dançavam enquanto tocavam canções patrióticas curdas. Organizadores disseram que um milhão de pessoas compareceram, mas não houve nenhum número oficial. 

Grandes telas de cada lado do palco mostravam o rosto de Ocalan enquanto muitos balançavam as bandeiras de seu grupo militante, considerado uma organização terrorista pelo governo de Ancara, pelos Estados Unidos, e pela União Europeia. 

(Reportagem adicional de Gulsen Solaker em Ancara)

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