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Ministro da Alemanha diz que expulsão de chefe da CIA no país era inevitável

ANNIKA BREIDTHARDT - REUTERS

11 Julho 2014 | 12h 05

A decisão da Alemanha de pedir a expulsão do chefe da unidade da CIA em Berlim foi uma resposta inevitável às novas alegações de que os Estados Unidos estavam espionando o governo alemão, disse o ministro de Relações Exteriores do país, Frank-Walter Steinmeier, nesta sexta-feira.

Autoridades disseram que o chefe de espionagem dos EUA deixariam a Alemanha em breve.

"Nossa decisão de pedir que o atual representante dos serviços de inteligência dos EUA deixasse a Alemanha é a decisão correta, um passo necessário e uma reação adequada em relação à quebra de confiança que ocorreu”, disse Steinmeier a repórteres.

“Tomar uma atitude foi inevitável, em minha opinião. Precisamos e esperamos um relacionamento baseado em confiança."

Segundo ele, uma forte parceria transatlântica era especialmente importante agora, dada a crise internacional.

Ele dirá ao secretário de Estado dos EUA, John Kerry, ao se encontrarem em Viena no fim de semana para conversas sobre o programa nuclear do Irã, que a Alemanha está ansiosa em retornar essa parceria baseada em confiança mútua.

O escândalo esfriou as relações com Washington em nível não visto desde que o antecessor da chanceler Angela Merkel se opôs à invasão do Iraque em 2003. Além disso, foi precedido de alegações de que a própria Merkel esteve entre os milhares de alemães cujos telefones celulares foram interceptados por agentes norte-americanos.

Merkel não teve uma conversa telefônica com o presidente dos EUA, Barack Obama, desde que Berlim pediu a saída do chefe da CIA no país, mas ambos mantêm contato, disse um porta-voz do governo alemão nesta sexta-feira.

“Não houve conversa telefônica entre a chanceler e Washington e nenhuma está planejada. Mas você sabe que a chanceler e o presidente norte-americano estão em contato um com o outro”, disse o porta-voz de Merkel, Steffen Seibert, em coletiva de imprensa.

Seibert disse que o governo espera que o representante de inteligência dos EUA deixasse a Alemanha “prontamente”. O chefe da CIA no país não teve seu nome divulgado.

A decisão de pedir sua saída da Alemanha foi tomada após revelações de atividades de espionagem dos EUA no país.

Na quarta-feira o governo alemão afirmou ter descoberto um suspeito de espionar para os EUA no Ministério da Defesa. Isso aconteceu apenas alguns dias depois da prisão de um funcionário de inteligência alemão sob suspeita de ser informante da CIA, que admitiu ter passado documentos para um contato no Estados Unidos.

(Por Alexandra Hudson e Stephen Brown)