Papa João Paulo II influenciou a queda do Muro, diz cardeal

Segundo Angelo Sodano, 'tudo o que ocorreu' na Europa Oriental não teria sido possível sem líder católico

Efe

09 Novembro 2009 | 16h10

O decano do Colégio dos Cardeais, Angelo Sodano, assegurou nesta segunda-feira, 9, que o papa João Paulo II e os cristãos europeus foram fundamentais na queda do Muro de Berlim, evento que completa 20 anos. Em declarações à Rádio Vaticano, o cardeal Sodano, que foi secretário de Estado (cargo equivalente ao de primeiro-ministro) do Vaticano entre 1991 e 2006, disse que sem a presença de João Paulo II "tudo o que ocorreu desde então na Europa Oriental não teria sido possível".

 

Sodano disse que a queda do Muro de Berlim significou o desaparecimento do sistema comunista na Europa centro-oriental "que foi imposto à força a essas populações". Neste sentido, o cardeal, de 74 anos, disse que a queda do Muro "foi o triunfo da liberdade dos povos" e que isso foi manifestado por João Paulo II quando visitou Berlim 1996. O falecido papa disse que o Portão de Brandemburgo "se transformou na porta da liberdade".

 

O cardeal acrescentou que acompanhou João Paulo II nessa viagem e que se lembra da emoção do então chanceler alemão, Helmut Kohl, e da ovação da multidão ao pontífice. "Hoje podemos dizer, citando uma pessoa nada suspeita como Mikhail Gorbachov, que tudo o que ocorreu na Europa oriental nesses anos não teria sido possível sem a presença de João Paulo II; sem o papel, também político, que soube ter no cenário mundial", afirmou Sodano. "Graças a João Paulo II e à participação de tantos cristãos europeus, há 20 anos houve o início da construção de uma nova Europa", acrescentou.

 

Sodano ressaltou os valores cristãos do velho continente e lamentou que a União Europeia (UE) "tenha preferido ignorar esse patrimônio cristão no Tratado de Lisboa". "Isso não deve desanimar os cristãos europeus, mas deve estimulá-los a levar o Evangelho na nova realidade europeia que vai se configurando", disse Sodano.

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