Parlamento alemão recorda os 75 anos da ascensão do nazismo

'Nunca novamente: esse deve ser o lema para hoje', diz líder social-democrata alemão, Hans-Jochen Vogel

Agência Estado e Associated Press,

10 Abril 2008 | 21h03

O Parlamento alemão recordou nesta quinta-feira, 10, a rápida destruição da democracia enfrentada pelo país após a chegada ao poder de Adolf Hitler, 75 anos atrás. Os políticos que resistiram aos nazistas foram homenageados. A chanceler Angela Merkel e o presidente Horst Koehler estiveram na solenidade, de uma hora, realizada no restaurado prédio do Reichstag. O incêndio do local, em 1933, foi um dos eventos que ajudaram a consolidar o controle de Hitler no país.   Veja também: Áustria recorda os 70 anos da anexação nazista   "Nós prestamos reverência hoje às vítimas da ditadura Nacional Socialista", disse em discurso o presidente do Parlamento, Norbert Lammert. Hitler convenceu o presidente Paul von Hindeburg, que enfrentava problemas para administrar o país, a indicá-lo chanceler em 30 de janeiro de 1933.   "Ninguém deveria ter tido nenhuma ilusão sobre como as coisas seriam no futuro", disse Lammert. "Adolf Hitler nunca deixou nenhuma dúvida sobre o que faria com o poder se chegasse a ele". Quando os nazistas organizaram a queima de livros em 10 de maio, "o novo regime tinha, em algumas semanas, pavimentado seu caminho para tudo que seria a tônica dos 12 anos seguintes: desrespeito à lei, desrespeito à Constituição, desrespeito à civilização", recordou Lammert.   Um mês após chegar ao cargo, Hitler usou o incêndio no Reichstag - atribuído ao comunista holandês Marinus van del Lubbe - para se fortalecer no poder. Ele suspendeu liberdades civis e perseguiu partidos oposicionistas, abrindo caminho para a instauração de um Estado policial.   Em 23 de março, o Parlamento aprovou a chamada Lei de Habilitação, "autorizando" o gabinete de Hitler a publicar decretos sem a necessidade de aprovação de parlamentares ou do presidente. Na prática, aquilo dava poderes ditatoriais a Hitler.   Os parlamentares ouviram nesta quinta-feira o que Lammert denominou como as "últimas palavras verdadeiramente livres do Reichstag alemão". Trata-se de trechos de um discurso feito pelo então líder no Parlamento do Partido Social-Democrata, Otto Wels. O político se opôs à lei, declarando que "eles podem tirar nossa liberdade e nossa vida, mas não nossa honra".   A concessão de poderes excepcionais a Hitler foi aprovada por 444 parlamentares. Com os comunistas e alguns social-democratas já excluídos, apenas 94 membros do partido de Wels votaram contra a proposta.   "Nunca novamente: esse deve ser o lema para hoje", sugeriu o ex-ministro da Justiça e atual líder social-democrata, Hans-Jochen Vogel. Atualmente, parte da população da Alemanha se mostra preocupada com a ascensão de partidos de extrema direita. Essas siglas conseguiram algumas cadeiras em assembléias estaduais em anos recentes.

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