Partidos britânicos relatam progresso para parceria

Os partidos britânicos Conservador e Liberal Democrata disseram nesta segunda-feira que já houve progressos nas discussões para a formação de uma parceria, depois de uma eleição com resultado inconclusivo, na semana passada, que preocupou os mercados.

PETER GRIFFITHS E MOHAMMED ABBAS, REUTERS

10 Maio 2010 | 10h18

Os dois partidos não deram detalhes sobre as negociações, que devem levar ao primeiro governo conjunto no país desde 1974. Fontes de ambos os lados dizem que o principal ponto das discussões é a definição de políticas para recuperar a economia, após a pior recessão desde a 2a Guerra Mundial, e para reduzir o déficit público recorde.

"Tivemos mais progressos", disse William Hague, negociador-chefe do Partido Conservador (centro-direita), que formou a maior bancada na eleição de quinta-feira, mas sem maioria absoluta.

"Vamos agora nos reportar (ao líder partidário) David Cameron e ter reuniões com nossos colegas parlamentares."

Danny Alexander, o negociador liberal democrata, confirmou que houve um "bom progresso", mas não quis especular sobre a proximidade de um acordo.

Gordon Brown, cujo Partido Trabalhista está no poder desde 1997, continua como primeiro-ministro enquanto o novo governo é formado, e ainda espera convencer os "lib-dems" a apoiá-lo para que permaneça no cargo.

Os conservadores ficaram com 20 deputados a menos do que os 326 que representam a maioria absoluta na Câmara dos Comuns. Por isso cogitam agora uma coalizão ou um acordo menos formal de compartilhamento do poder com os liberais democratas, de centro-esquerda, que ficaram em terceiro lugar.

Os dois partidos, no entanto, têm discordâncias a respeito de temas como reforma eleitoral, imigração e União Europeia, e há um prazo limitado para que cheguem a um acordo.

Enquanto os mercados financeiros estão atentos ao pacote da UE e do FMI para a Grécia, eles desejam que o cenário político na Grã-Bretanha seja esclarecido em poucos dias.

"A paciência do mercado com a situação política do Reino Unido só vai durar por um tempo limitado", disse Howard Archer, economista-chefe do IHS Global Insight para a Grã-Bretanha.

O eventual colapso das negociações entre conservadores e "lib-dems" adiaria a formação de um novo governo e levaria à possibilidade de um pacto ainda mais amplo e possivelmente mais instável envolvendo os liberais democratas, os trabalhistas e vários pequenos partidos.

"Haveria sérias dúvidas sobre sua capacidade de realizar mais ações fiscais duras", disse Archer.

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