Polícia da França aperta cerco contra atirador

A polícia francesa na cidade de Toulouse apertou o cerco sobre um atirador suspeito de ter matado a tiros sete pessoas, incluindo três crianças judias, em uma matança em nome da Al Qaeda.

JEAN DÉCOTTE E JOHN IRISH, REUTERS

21 Março 2012 | 13h27

Em um drama que chocou a França e o mundo, cerca de 300 policiais, alguns de uniforme blindado, cercaram um prédio de quatro andares em um subúrbio de Toulouse, onde está o atirador muçulmano de 24 anos, identificado como Mohamed Merah.

O ministro do Interior francês, Claude Gueant, negou reportagens de que Merah havia sido preso. O presidente Nicolas Sarkozy deveria falar com repórteres em Toulouse em breve.

Gueant disse que o atirador era um cidadão francês de origem argelina que tinha estado no Paquistão e no Afeganistão e havia dito a negociadores da polícia que havia realizado os ataques para vingar as mortes de crianças palestinas e por causa do envolvimento do Exército francês no Afeganistão.

Autoridades no Afeganistão confirmaram que Merah tinha sido preso por fabricação de bomba na província de Candahar, em 2007, mas fugiu meses depois, em uma ousada fuga da prisão pelo Taliban.

A polícia retirou os outros moradores do edifício e começou a retirar residentes de outras casas vizinhas. Uma fonte policial disse que as autoridades não permitiriam que o cerco se arrastasse indefinidamente.

Sarkozy, concorrendo à reeleição daqui a cinco semanas, afirmou mais cedo que a França não deve dar lugar a discriminação ou vingança após o assassinato de um rabino e das três crianças, além de três soldados de origem norte-africana.

Seu alerta veio depois da líder de extrema-direita Marine Le Pen, candidata presidencial rival, afirmar que a França deve entrar em guerra com o fundamentalismo islâmico.

"O terrorismo não vai conseguir quebrar o sentimento de comunidade da nossa nação", disse Sarkozy, após encontro com líderes da comunidade judaica e muçulmana no Palácio do Eliseu em Paris. "Nós devemos ficar juntos. Não devemos ceder à discriminação ou vingança."

O ministro do Interior disse que Merah, que tinha estado sob vigilância desde o ataque aos primeiros soldados na semana passada, queria vingança "pelas crianças palestinas e ele também queria atacar o Exército francês por causa de sua intervenção estrangeira".

Ele disse aos jornalistas que Merah era membro de um grupo ideológico islâmico na França, mas a organização não esteve envolvida em tramar qualquer tipo de violência.

Ele contou que Merah tinha jogado uma pistola Colt 45, do tipo utilizado em todos os tiroteios, para fora de uma janela do bloco de apartamentos em troca de um celular, mas ainda estava armado.

Fontes policiais disseram ter realizado uma explosão controlada do carro do suspeito por volta das 9h, depois de terem descoberto que o veículo estava carregado com armas.

A namorada e o irmão de Merah, igualmente conhecido por autoridades como um islamita radical, também foram presos, disseram autoridades.

A presença militar francesa no Afeganistão tem dividido os dois principais candidatos na eleição. O favorito candidato socialista, François Hollande, disse que vai retirar os soldados até o final deste ano, enquanto Sarkozy tem como objetivo o final de 2013.

(Reportagem adicional de Brian Love, Daniel Flynn e de Geert Clercq, em Paris)

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