Premiê britânico cede e revela contatos com doadores

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, revelou nesta segunda-feira que uma série de banqueiros e donos de fundos de investimentos jantaram com ele em seu apartamento particular em Downing Street e em sua casa de campo, numa tentativa de acabar com um escândalo envolvendo o financiamento de seu partido.

ADRIAN CROFT E MOHAMMED ABBAS, REUTERS

26 Março 2012 | 19h03

O premiê anunciou a abertura de um inquérito interno do Partido Conservador depois que Peter Cruddas, um dos tesoureiros do partido, pediu demissão após ser flagrado por um jornal oferecendo encontros com o premiê em troca de grandes contribuições.

O gabinete de Cameron também divulgou detalhes de grandes doadores que foram convidados por Cameron para jantares particulares.

Foram registrados quatro eventos em Downing Street desde a posse de Cameron em 2010, incluindo um no dia 2 de novembro que contou com a presença de Ian Taylor, chefe-executivo da Vitol, o maior trader de petróleo do mundo, do megainvestidor Michael Farmer e do banqueiro Henry Angest, ao lado de suas mulheres.

O tesoureiro do Partido Conservador Peter Cruddas renunciou depois que o jornal The Sunday Times o filmou dizendo a repórteres que se passavam por financistas que, por 250.000 libras (400.000 dólares), eles poderiam jantar com Cameron e, eventualmente, influenciar políticas de governo.

Embora Cameron e outros políticos conservadores tenham se distanciado do comportamento de Cruddas, dizendo ser "inaceitável", o escândalo tem potencial de prejudicar Cameron, uma vez que revive preocupações sobre a influência corrosiva do dinheiro na política britânica e reforça a imagem de Cameron como um amigo dos ricos.

O episódio favoreceu as acusações do Partido Trabalhista, de oposição, de que Cameron e outros conservadores que vêm de famílias ricas e favorecidas estão distantes das pessoas comuns que estão sendo forçadas a apertar os cintos para lidar com as medidas de corte de déficit do governo.

A denúncia veio dias depois de o ministro das Finanças, George Osborne, ter anunciado um corte na taxa máxima do imposto para os mais ricos, expondo o governo de coalizão liderado pelos conservadores, que assumiu o poder em 2010, às acusações do Partido Trabalhista de que a dor da austeridade não era compartilhada entre ricos e pobres.

Depois de inicialmente resistir aos pedidos do partido de oposição para divulgar quais doadores haviam jantado com ele em seu apartamento privado, acima do escritório do primeiro-ministro, Cameron cedeu à pressão nesta segunda-feira e divulgou os nomes.

"Nos dois anos que eu fui primeiro-ministro, houve três ocasiões em que doadores significativos vieram jantar no meu apartamento", disse ele, durante um discurso em Londres.

"Além disso, houve um jantar de agradecimento, que incluiu os doadores, em Downing Street logo após a eleição geral. Estaremos publicando detalhes hoje."

"Nenhum desses jantares era jantar de arrecadação de fundos, e nenhum destes jantares foi pago pelo contribuinte", disse ele.

Cameron também prometeu que os conservadores iriam publicar detalhes a cada trimestre de todos os encontros do primeiro-ministro com a presença de qualquer dos principais doadores do seu partido.

"Apenas não é aceitável ou crível de forma alguma para o Partido Conservador investigar a si mesmo", disse o deputado trabalhista Michael Dugher à rádio BBC.

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