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Putin e Poroshenko apresentam caminhos diferentes para paz na Ucrânia

ALEXEI ANISHCHUK E NATALIA ZINETS - REUTERS

26 Agosto 2014 | 15h 21

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, pediu nesta terça-feira a seu homólogo ucraniano, Petro Poroshenko, a não intensificação da ofensiva contra os rebeldes pró-Moscou, e ameaçou uma retaliação econômica pela assinatura de um acordo comercial da Ucrânia com a União Europeia.

No primeiro encontro dos dois líderes desde junho, o presidente ucraniano respondeu exigindo que a Rússia interrompa o envio de armamentos para os combatentes separatistas no leste da Ucrânia.

Os dois se cumprimentaram com um aperto de mãos no início das conversas na capital de Belarus, Minsk, poucas horas depois de Kiev afirmar ter capturado soldados russos em uma “missão especial” em território ucraniano.

Reagindo a um vídeo das tropas detidas, uma fonte do Ministério da Defesa russo declarou a agências de notícias de seu país que os homens cruzaram a fronteira por engano.

Em um comunicado televisionado, o porta-voz militar ucraniano, Andriy Lysenko, refutou a explicação e disse que os rebeldes estavam atacando a cidade de Novoazovsk, na divisa sudeste, “neste exato minuto”, e que forças ucranianas destruíram 12 veículos blindados de infantaria na área.

Moscou tem negado as acusações de Kiev de que vem enviando armas e combatentes para ajudar os rebeldes no leste da Ucrânia. Os Estados Unidos e a UE apoiaram Kiev impondo sanções a Moscou, um impasse que levou tanto a Rússia quanto a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) a aumentarem suas manobras militares.

“Estamos convencidos de que, hoje, (a crise na Ucrânia) não pode ser resolvida com uma escalada ainda maior do panorama militar sem levar em conta interesses vitais das regiões do sudeste do país e sem um diálogo pacífico com seus representantes", disse Putin.

O líder russo afirmou que a economia de seu país pode perder cerca de 2,8 bilhões de dólares se bens europeus chegarem a seus mercados através da Ucrânia depois que Kiev firmou o acordo comercial com a União Europeia em junho. Moscou retaliaria com medidas comerciais se isso acontecesse, acrescentou.

Poroshenko respondeu defendendo um plano de paz que divulgou em junho, quando os separatistas da região de Donbas, no sudeste ucraniano, desdenharam seu convite para baixar as armas e partir por um corredor de segurança.

“A condição primordial para uma estabilização da situação em Donbas é o estabelecimento de um controle eficaz da fronteira ucraniano-russa. É vital fazer tudo para deter a entrega de equipamento e armas aos combatentes”, declarou.

A chefe de política externa da UE, Catherine Ashton, e líderes de Belarus e Cazaquistão também participaram da reunião de Minsk.

A Rússia pediu um cessar-fogo muitas vezes e apoia o que chama de “diálogo de união nacional” que fortaleceria a autoridade das regiões ucranianas.

Já a Ucrânia irá rejeitar qualquer arranjo que desse às regiões do leste mais poder decisório em suas políticas, podendo bloquear medidas de Kiev rumo a uma aproximação com a União Europeia ou a Otan.

(Reportagem adicional de Richard Balmforth, Pavel Polityuk, Thomas Grove, Andrei Makhovksy e Anton Zverev)