Rússia elogia mudanças no sistema antimísseis dos EUA

Plano adotado por George W. Bush era considerado uma 'provação à segurança na região europeia'

Agência Estado e Associated Press,

17 Setembro 2009 | 12h29

A Rússia recebeu bem as notícias desta quinta-feira, 17, de que os EUA mudarão seus planos de instalar um escudo antimísseis no Leste Europeu. Apesar disso, o governo russo avalia que não há necessidade de oferecer concessões em troca.

 

Veja também:

linkAnálise: Fim de escudo antimísseis marca novo rumo na política externa dos EUA

linkObama anuncia fim de escudo antimísseis de Bush na Europa Oriental

 

O primeiro-ministro interino da República Checa, Jan Fischer, afirmou que o presidente dos Estados EUA, Barack Obama, disse em conversa por telefone que sua administração decidiu interromper o projeto do sistema antimísseis. Ainda nesta quinta-feira, Obama falou ao público sobre o tema.

 

Funcionários russos elogiaram a medida, avaliando-a como um bom senso dos EUA para acabar com um plano provocativo e desnecessário. Além disso, apontaram que isso é um sucesso para a determinada oposição diplomática da Rússia à iniciativa. O presidente russo, Dmitry Medvedev, ameaçou em novembro instalar mísseis táticos Iskander na fronteira com a Polônia, caso o sistema dos EUA fosse instalado.

 

"Os planos de (George W.) Bush para defesa antimíssil como conhecíamos até agora não eram nada mais que provação à segurança na região europeia", afirmou Dmitry Rogozin, embaixador da Rússia na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em entrevista por telefone.

 

Apesar de notar que Moscou ainda teria que ser informada formalmente da decisão, Rogozin repetiu declarações anteriores dos russos de que Moscou não vê o abandono dos planos dos EUA como uma concessão, mas sim como "um erro que está agora sendo corrigido". Em todo caso, ele disse, a Rússia concordou recentemente em permitir que aeronaves norte-americanas levando tropas e suprimentos passassem pelo espaço aéreo russo, no esforço de guerra no Afeganistão. Segundo o embaixador, essa permissão se traduzirá em um economia de US$ 1 bilhão por ano pelos EUA.

 

"Isso é um reconhecimento dos americanos da justeza de nossos argumentos sobre a realidade da ameaça, ou melhor da falta dela" em relação a possíveis mísseis vindos do Irã, avaliou Konstantin Kosachev, diretor do comitê de assuntos internacionais da Câmara dos Deputados russa. "Assim como os americanos superestimaram a ameaça do regime de Saddam Hussein no Iraque, eles também superestimaram todo esse tempo a ameaça do Irã", comparou. "Finalmente os americanos concordaram conosco."

 

Kosachev disse também que a medida dos EUA é um reconhecimento por Washington de que Moscou deve estar envolvida em qualquer discussão sobre estratégia de segurança.

 

A Rússia acredita que o Irã demorará ainda anos para ter capacidade de instalar uma arma nuclear em um míssil balístico. Analistas ocidentais, porém, têm opiniões divergentes sobre a questão. Os líderes russos insistem que o verdadeiro alvo do plano norte-americano era o arsenal nuclear russo, não o iraniano.

 

Especialistas no setor militar russo já disseram que a principal preocupação era com os radares a serem instalados na República Checa. Segundo eles, isso possibilitaria que os EUA monitorassem o sudoeste russo. Na semana passada, o primeiro-ministro Vladimir Putin indicou que Moscou poderia considerar outras áreas para o sistema dos EUA, desde que não monitorassem a Rússia também.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.