Suíços rejeitam construção de torres em mesquitas

Resultado surpreendeu o governo, contrário ao referendo, em um país tradicionalmente tolerante

REUTERS, REUTERS

29 Novembro 2009 | 15h49

Os eleitores da Suíça rejeitaram a construção de novos minaretes (torres em mesquitas), um resultado surpreendente e que deve deixar o governo da Suíça embaraçado, por ser tradicionalmente neutro e tolerante.

 

O resultado oficial é de que 57,5% dos eleitores e 25 dos 26 cantões do país europeu aprovaram a proposta em um plebiscito nacional, realizado hoje, que foi apoiado pelo Partido do Povo Suíço (SVP), de direta.

 

O governo e o parlamento haviam rejeitado a iniciativa do plebiscito como uma violação da Constituição do país, da liberdade de religião e da tradição de tolerância. O governo disse que a proibição dos minaretes "serve a interesses de extremistas". O observador de direitos humanos da ONU também manifestou preocupação com o resultado do plebiscito.

 

O governo da Suíça diz que irá respeitar a decisão do povo no plebiscito e irá declarar que a construção de novos mirates não será permitida. "Mulçumanos na Suíça podem praticar sua religão sozinhos ou em reunião com outras pessoas e viver de acordo com suas crenças assim como antes", procurou acalmar a declaração oficial do governo.

 

A ministra da Justiça Eveline Widmer-Schlumpf disse que o resultado da votação reflete um temor do fundamentalismo islâmico, mas a proibição "não é um meio viável de combater tendências extremistas". 

 

Um grupo de políticos do SVP e da União Democrática Federal havia reunido assinaturas suficientes para forçar a realização do referendo em uma iniciativa para se opor à "islamização da Suíça". Os cartazes da campanha mostravam a bandeira Suíça coberta por um minarete em formato de míssil e o retrato de uma mulher coberta por uma burca. "Estamos muito contentes. É uma vitória para o povo, para esta Suíça, para esta liberdade e para aqueles que querem uma sociedade democrática", disse Walter Wobmann, presidente do comitê do plebiscito, em discurso de vitória.

 

O país tem cerca de 7 milhões de habitantes e abriga mais de 300 mil mulçumanos, a maior parte imigrantes da Bósnia, de Kosovo e da Turquia. Estimativas dizem que há entre 130 e 160 centros mulçumanos. Apenas quatro deles, em Genebra e Zurique, têm minaretes.

 

O resultado fortalece o SVP, que tem sido acusado de racismo por causa de suas campanhas anti-imigração, incluindo um cartaz que mostrava uma ovelha branca chutando uma ovelha preta para fora da bandeira Suíça.

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