Clodagh Kilcoyne/ Reuters
Clodagh Kilcoyne/ Reuters

Tony Blair diz que UE repensaria livre circulação para evitar 'Brexit'

Ex-primeiro-ministro afirmou ter obtido informações com fontes do bloco sobre possibilidade de negociação

O Estado de S.Paulo

15 Julho 2017 | 07h41

O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair assegura que a União Europeia consideraria mudar o conceito da livre circulação para acomodar as preocupações do Reino Unido sobre imigração, o que poderia evitar o "Brexit", em um artigo publicado neste sábado, 14, na página do seu Instituto para Mudança Global. 

Blair, da ala direita do Partido Trabalhista, escreve que "a vontade do povo" britânico é favorável a deixar a União Europeia, manifestada no referendo de 23 de junho de 2016, poderia mudar à medida que progridem as negociações com Bruxelas para sair do bloco e se evidenciam as dificuldades. 

Além do artigo, Blair também falou à emissora Sky News que "cada dia obtemos novas provas" do ano que supõe o "Brexit" para a Grã Bretanha, como a desaceleração do crescimento econômicos e a drásticas queda no valor da libra esterlina desde o referendo de junho de 2016. 

O ex-chefe de governo, que perdeu prestígio após decidir invadir o Iraque junto com os Estados Unidos, em 2003, assinala em seu texto que os atuais dirigentes, incluindo o trabalhista Jeremy Corbyn, "deveriam ao menos encabeçar um debate como é devido com todas as opções à frente".  

"Uma consideração racional de todas as opções deveria incluir a de negociar que o Reino Unido permaneça dentro de uma Europa preparada para se reformar e que nos encontre em um ponto em comum", argumenta no artigo. 

"A reforma está agora na agenda da UE. Os lideras europeus, certamente em minhas discussões, estão dispostas a considerar mudanças para acomodar o Reino Unidos, incluindo em torno da livre circulação", assegura. "Sem embargo, esta opção está excluída (do debate)."

Seguindo a promessa da ala conservadora de que assim o Reino Unido poderia recuperar o controle de suas fronteiras e interromper a imigração, os britânicos votaram por 52% a 48% a favor da saída da União Europeia. 

Até agora, Bruxelas tem sustentado que o país não poderá ter pleno acesso ao mercado comunitário único nem à união aduaneira, os benefícios que mais o interessa, se não aceitar o princípio chave da livre circulação, pela qual os cidadãos do bloco podem residir e trabalhar em todo o território da UE. 

Blair, cujos partidários no Parlamento têm protagonizado no último ano várias tentativas infrutíferas de derrotar Corbyn, admite que atualmente os britânico ainda consideram que o "'Brexit' significa 'Brexit'", ou seja, sair da UE e de suas instituições, o que "por agora, não há base para um segundo referendo". 

Mas adverte que também desejam uma relação forte com o bloco comunitário e uma maioria se opões a um "Brexit" duro, sem acesso ao mercado único, como puseram de manifesto as últimas eleições gerais, quando a líder conservadora Theresa May perdeu sua maioria absoluta. 

O antigo dirigente trabalhista crê que, enquanto a opinião pública britânica pode evoluir, há na UE outros países que também mudarão sua postura. 

"Os franceses e os alemães compartilham de algumas preocupações britânicas, notavelmente acerca da imigração, e fariam concessões quanto a livre circulação", insiste. 

Blair analisa também o resultado das eleições de 8 de junho e, ainda que o socialdemocrata Corbyn, que ganhou 30 deputados para os trabalhistas, chegando a 262, obteve um "destacado resultado", avisa que não se superestimar. 

Minimizando os rumores recentes, esclarece que ele não advoga para "formar um novo partido", pois, entre outras coisas, o particular sistema eleitoral do Reino Unido o dificultaria de prosperar. 

Em resposta ao artigo de Blair, o deputado trabalhista Frank Field o acusou de ser "um lobo em pele de cordeiro". 

"Se eu estivesse na União Europeia e quisesse mudar a opinião pública neste país sobre a decisão de sair do bloco, não utilizaria Tony Blair", declarou ao programa "Today", da Radio 4, da BBC. 

Neste mesmo programa, Blair negou a revelar suas fontes na UE, que o teriam indicado a possibilidade de repensar a livre circulação, mas assegurou que não tem feito afirmação "levianas". /COM INFORMAÇÕES DA AGÊNCIA AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.