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Ucrânia diz que rebeldes pagarão depois que mísseis mataram 23 soldados

NATALIA ZINETS E MARIA TSVETKOVA - REUTERS

11 Julho 2014 | 20h 11

O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, prometeu “encontrar e destruir” os rebeldes pró-Rússia que mataram 23 soldados e feriram quase 100 em um ataque com mísseis nesta sexta-feira.

Poroshenko emitiu seu raivoso comunicado após uma reunião de emergência de seus chefes de segurança em resposta ao ataque matutino com mísseis russos Grad contra uma brigada motorizada do Exército perto da fronteira com a Rússia.

O ataque, ocorrido quando forças do governo pareciam estar prevalecendo no conflito de três meses, parece ser o mais mortífero contra tropas governamentais desde que os militares ucranianos encerraram um cessar-fogo unilateral em 30 de junho.

“Todos aqueles que usaram os Grad contra as Forças Armadas da Ucrânia serão encontrados e destruídos”, afirmou Poroshenko no comunicado publicado em seu site.

“Para cada soldado morto, os militantes pagarão com dezenas e centenas dos seus. Nem um só terrorista irá escapar da responsabilidade; cada um terá o que merece”, disse.

Os separatistas pró-Rússia lançaram uma série de mísseis Grad às 4h30 no horário local contra o posto de fronteira de Zelenopillya, na região de Luhansk, no extremo leste da Ucrânia, informaram fontes militares.

O Ministério da Defesa ucraniano afirmou que 19 soldados foram mortos e o serviço de guarda da fronteira disse que quatro de seus funcionários também morreram. O porta-voz dos militares, Vladyslav Seleznyov, escreveu na sua página no Facebook que 93 pessoas ficaram feridas no ataque com os Grad.

Mais cedo, autoridades haviam colocado o saldo de mortos em até 30, mas esse número depois foi reduzido para 23.

O ataque foi um grande revés para o governo, que obteve uma notável vitória no fim de semana passado expulsando os rebeldes do seu bastião em Slaviansk e os forçando a voltar à cidade industrial de Donetsk, onde se entrincheiraram.

Os separatistas vêm combatendo forças do governo há três meses, desde que estabeleceram as "repúblicas do povo" no leste do país, uma região de maioria étnica russa, e afirmam querer se unir à Rússia.

O governo de Poroshenko ameaçou uma "surpresa terrível" para escorraçar os rebeldes de Donetsk, mas promete limitar as baixas civis.

Um grupo de indivíduos armados ocupou uma unidade de semente de girassol da Cargill na região de Donetsk, depois que foi fechada devido ao aumento das tensões na área, afirmou a companhia nesta sexta-feira.

A gigante do agronegócio disse que interrompeu as operações na unidade em 4 de julho.

A Archer Daniels Midland e a Bunge afirmaram que estão operando normalmente na Ucrânia e que monitoram a situação.